[Coluna NES] Você tem medo de quê?

Por Betho Wilson

Quando procuramos a definição de medo no dicionário uma das respostas que encontramos é: “Uma sensação desagradável desencadeada pela percepção de perigo, real ou imaginário.”

Sentir medo de algo, alguém, lugar ou situação, dizem ser normal e até saudável para impor limites a nós sobretudo quando desafiamos perigos desnecessários. Todo destemido precisa saber que é passivo de ser gravemente ferido no corpo, ou na alma.

O medo, a uns paralisa, a outros atordoa, e a alguns motiva. Isso não quer dizer que existam melhores e piores, corajosos e covardes, isso fala muito nas experiências passadas pela vida de cada indivíduo que a partir delas adquiriram ou não travas psicológicas.

Veja a vida de um jovem morador de comunidade desassistido e convivendo continuamente com o perigo que o cerca de todo lado, um jovem acuado pelo modo operandi da polícia, é aliciado ou controlado pelo crime presente e latente no seu dia a dia, e, por viver numa região muitas vezes sem planejamento urbano,  também vive o risco sazonal com as fortes chuvas de desabamento de casas e barracos ou deslizamento de terra em barrancos sem as tais geomantas muito aplicadas em encostas.

Esse indivíduo condenado a conviver com tais demandas sociais ordinariamente, enxergará o mundo fora dali, de sua realidade como algo fácil, um parque de diversões, um ambiente onde ele se sentirá apto a impor sua coragem adquirida na base do medo que em sua comunidade lhe fez aluno numa escola as vessas. Passei por isso na minha época ao estudar num bairro nobre durante o ensino médio e me tornar para todo o colégio um detentor da astúcia, força e bravura. Ali, ninguém sabia que eu na minha ilha,  no meu lugar de origem, meu bairro querido e perigoso eu era tímido e ressabiado, afinal de contas na escala da malandragem eu nem estava classificado e muito menos matriculado na turma dos descolados.

O medo infelizmente se tornou parceiro e amigo do nosso povo e o pior é que essa convivência com ele a tanto tempo nos fez normalizar situações que ao invés disso deveríamos lutar com todas as nossas forças e em conjunto como uma grande alcateia que se defendem de todo surgimento que se levante e atue contra ela.

Devemos ser uns para os outros uma rede de apoio preocupada com a saúde mental dos nossos no enfrentamento daquilo que nos paralisa e não nos deixa crescer como povo, uma rede forte e capaz de superar agouros, apta a nos transformar em um coletivo forte que, apesar das angústias, permanece firme na caminhada.

O medo pode não ter cura, mas a maneira de enxerga-lo e assim supera-lo essa sim, deve ser adquirida por nós.

Sigamos firmes e fortes para além das nossas limitações. O segredo é caminhar juntos e se enxergar como indivíduo que compõe o todo, um grupo, um povo.

Você tem medo de quê?

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