[Opinião] 13 de maio de 1888: liberdade para quem?

Foto: Reprodução

Por Alberto Junior* e Antônio Vitor**

Caro leitor, a Inglaterra reconheceu a independência do Brasil com a condição de que o país abolisse gradativamente a escravidão em todo território. O Brasil criou várias leis que beneficiava mais os senhores de escravos do que os povos escravizados.


Foi criada a lei Eusébio de Queiroz de 1850, que marca o fim do tráfico negreiro e no mesmo ano a lei das terras que proibia a posse da terra por meio de doação. Em 1871, foi criada a lei do ventre livre, depois a de 1885 dos sexagenários e por último a de 1888, mais conhecida como a lei áurea que pôs fim definitivamente a escravidão no Brasil.


A Inglaterra pressionou o país a abolir a escravidão não por uma questão humanitária, mas pelo desejo do mercado consumidor, porque a maioria da população era escravizada e não tinha o poder de compra.
Entender a abolição da escravatura somente na pespectiva da pressão inglesa é invisibilizar a luta dos povos escravizados que resistiram e lutaram a todo período escravacota.


Meus caros, é preciso ter noção e a compreensão que não houve liberdade aos povos que aqui foram escravizados e arrancados da sua terra pelos europeus. A “liberdade” foi dada de maneira contínua a um processo de vulnerabilidade e marginalização dos povos afrodescentes.


O povo “liberto” foram colocados de escanteio da sociedade brasileira. Não foram inseridos no trabalho formal, foi negado a educação, foi negado o acesso as terras, assim como outras negações históricas. Por isso, povoaram os morros e logo mais tarde se tornaram as favelas, locais que a elite branca não queiseram habitar.


A herança do racismo se arrasta e se perpetuar até os dias atuais negando e excluídos os negros da sociedade.
O Brasil não tem o que comemorar no dia 13 de maio. Essa data serve como reflexão para que a gente perceba que já se passaram mais de 120 anos de abolição e ainda continuamos a adentrar a sociedade a passos de tartaruga.
Não podemos nos conformar com um médico negro em cada hospital ou um juiz negro em cada cidade, mas sim com igualdade.


O nosso povo está nas periferias sendo exterminados por um Estado que está a serviço da branquitude, que continua a serviço da sociedade burguesa. O nosso povo está encarcerado nos presídios. O nosso povo está limpando o chão que o branco pisa. O nosso povo está no emprego informal. O nosso povo está morrendo de fome e sem acesso a saúde.
O que mudou mesmo nesse país em relação ao nosso povo?


Pense, reflita, repense e abrace a causa.
Como diz a saudosa Djamila Ribeiro: “Não basta não ser racista, mas é preciso também ser antirracista.”
É preciso compreender o Brasil que desde o seu início, foi roubado e tomado pelo eurocentrismo que reverbera até os dias de hoje o seu racismo, preconceito, intolerância e uma escravidão histórica!!!
É preciso descolonizar o nosso conhecimento para que saibamos a verdadeira história do nosso povo, dos nossos ancestrais.


Ancestralidade é o futuro.

*Alberto Junior é professor de História

**Antônio Vitor é professor de Literatura

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Redação NES
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