Salvador e a luta pela liberdade!

"Animai-vos, povos baienses, que está para chegar o tempo da liberdade: o tempo que seremos todos irmãos, o tempo que seremos todos iguais."

Na manhã de 12 de agosto de 1798, a cidade de Salvador amanheceu espalhada de panfletos em todos os espaços públicos, com frases com o mesmo teor descrito no início deste texto.
Uma conspiração de cunho popular e que pregava a liberdade estava sob a liderança de escravizados, ex- escravizados, pequenos comerciantes, agricultores e uma elite insatisfeita com os abusos da Coroa Portuguesa que oprimia o povo baiense (assim chamado na época).


A Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates, Revolta dos Búzios, foi um dos movimentos emancipacionistas ou separatistas ocorrido no Brasil e inspirado nos ideais do movimento iluminista ocorrido na França. Esse, diferente da Inconfidência Mineira, tinha como pauta principal a abolição da escravatura e uma sociedade justa e igualitária para todos.


Os conjurados tinham como esperança a separação da Bahia de Portugal e autonomia dessa, porém o movimento não saiu da fase da conspiração, pois foi delatado por um dos seus integrantes, José da Veiga.
Muitos dos revoltos foram presos, entretanto quatro foram condenados à morte na forca e tiveram seus corpos esquartejados e espalhados por toda a cidade. Era muito comum esse ato, pois reprimia a sociedade de qualquer outro tipo de conspiração contra a Coroa.


Cipriano Barata era branco, filósofo, intelectual e membro da elite colonial da época. Participou ativamente da conspiração, porém teve como pena o exílio, diferente dos alfaiates que receberam a punição mais severa.
A luta de João de Deus, Lucas Dantas, Manuel Fastino, Luiz Gonzaga e todos os outros que participaram direta ou indiretamente dessa reação social é a continuidade da luta de todos nós que vivemos ainda em uma sociedade injusta. Sociedade em que os negros, as mulheres, os gays, os indígenas e os mais pobres sofrem devido à ausência do Estado em implantar políticas públicas que promovam a inclusão de todos.
As marcas dos conjurados continuam presentes em cada um de nós.


A Conjuração Baiana reforçou mais ainda o debate pelo fim da escravidão no Brasil e a sua independência política.

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