A arte que vem dos paletes: conheça o trabalho do morador do Nordeste de Amaralina, Clodoaldo Santos

A vida de Cloadoaldo Santos da Silva, 45 anos, não foi diferente da de muitos moradores do Complexo de Amaralina em meio à pandemia do novo Coronavírus. A crise sanitária, além dos doentes e mortos, fez com que muitos ficassem desempregados. E foi justamente esse o caso dele. Motorista de entrega, Clodoaldo perdeu o emprego tão logo explodiram os primeiros casos de Covid-19. “Sem mel, sem céu, sem sonho”, como diz canção do cantor e compositor baiano, Tenison Del Rey. Tal qual o músico, o morador da Rua  Ari Pereira de Oliveira (entre os bairros do Nordeste e Rio Vermelho), recorreu à arte para ganhar a vida. No caso de Clodoaldo, a arte que vem dos paletes.

Nascido em Itabuna, Duzinho, como é conhecido, chegou em Salvador ainda criança, aos cinco anos de idade. Criado no bairro de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, “o menino grapiúna” conheceu o Nordeste há 25 anos atras, através da esposa, ìsis, que já residia na localidade.

Hoje, pai de cinco filhos, “o artista” diz que esse seu talento no ramo da marcenaria foi descoberto meio que por pura imposição das circunstâncias. E foi nas tortas, mas porém assertivas linhas do destino, que Clodoaldo transformou em arte o que a vida lhe colocou como dificuldade. Dos barrotes de pinho e dos paletes foram surgindo as mais diversificadas peças.

“Comecei a fazer essas artes para mim há cerca de três anos. Surgiu das cinzas. Me desempreguei e resolvi investir. Eu não vi que tinha talento, não… Fazia meus armários, cômodas, gavetas…Já estava tudo no sangue. Eu tinha o desejo, a vontade de fazer… Eu gostava de fazer esse tipo de coisa e fazia para minha casa. Tudo começou com uma cama box que eu tinha… Uma cama cara, mas que na parte de baixo não valia nada, madeira ruim.  A cama então desmontou. Comprei dez paletes, cerrei e botei debaixo do meu colchão. Está lá até hoje”, explica

“Quando a pandemia surgiu em março de 2020, eu peguei e comecei a expandir as fotos dos móveis que eu montava. Primeiro para os amigos, que começaram a espalhar pelas redes sociais”, acrescenta.

A coisa foi tomando forma e as encomendas foram se multiplicando, à medida que suas peças iam sendo mostradas na internet. O meio digital, a princípio, foi um empecilho para Clodoaldo, mas nada que ele não pudesse rapidamente tirar de letra:

“Eu não gostava de internet. Minha esposa me chamava de “analfanet”. Mas logo eu também comecei a fazer as peças e postar. E daí foram surgindo os pedidos”.

Em pouco tempo, seu trabalho foi logo expandindo suas fronteiras para além do Complexo. As encomendas já vieram de diversos bairros de Salvador, de municípios da região metropolitana e até de fora da Bahia. Diversificados também são os pedidos, que vão desde simples cama até coisas inimagináveis:

“Muito móvel doido que eu não sabia nem para que lado ia…Pessoal tira foto da internet e pergunta se eu faço. Me mandam as fotos, as medidas e caio para dentro. Tem tempo que os mais pedidos são as macas de bronze. As meninas do bronze compraram muitas, mas por conta do inverno já parou. Depois vieram as banquetas com as mesas bistrô, as cadeiras para cozinha americana, cama de casal, cama de solteiro, cama infantil….”

Clodoaldo ressalta que o que tem ganho no presente tem dado para o gasto, mas mostra a costumeira resiliência quando perguntado sobre os seus planos para  o futuro:

“É o que está me sustentando hoje. Primeiramente Deus e segundo isso. Está dando para pagar minhas contas. Não estou vivendo, estou sobrevivendo. Quando a gente vive, a gente está a vontade, contas pagas, comida a vontade no armário. Ainda não estou nesse patamar. Quero expandir, quero crescer. Já tenho dois funcionários comigo. Minha esposa também trabalha comigo. Quero colocar mais pessoas. Aqui é pequeno e meu sonho é muito grande”, finaliza.

Mais Informações:

Quem quiser conhecer o trabalho de Clodoaldo pode acessar o seu perfil no Instagram (@paletes_cia) ou através do telefone (71) 99231-6843

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU