“Amaralina se faz hoje um povo, a exaltar e louvar São José…”

Operário e “Padroeiro dos Trabalhadores”. Pai de Jesus, esposo de Maria e “Padroeiro das Famílias”. Homem simples e virtuoso, patrono universal da Igreja. Salve São José! A comunidade de Amaralina está em festa para homenagear o seu padroeiro. Paroquianos e devotos se reúnem na Paróquia São José de Amaralina para “exaltar e louvar” o santo amado. A tradição já se repete há mais de cinquenta anos, desde a fundação do templo. Dia 19 de março é dia de render homenagens e agradecer as graças alcançadas.

Fundada em 1966 graças ao braço forte dos moradores do bairro e da inciativa e dedicação da missionária italiana Anna Sironi, responsável também pela fundação das paróquias Cristo Redentor e Santo André (ambas no Nordeste de Amaralina) a Igreja São José serviu ao longo da sua história como grande alicerce da sua comunidade. O terreno na rua Edgar de Barros foi doação da família Amaral. O imóvel foi erguido com pedras oriundas do Quartel de Amaralina, assim como também a imagem de Nossa Senhora dos Mares, batizada pelos pescadores como “Nossa Senhora dos Mares e da Lagoa” em homenagem à antiga lagoa situada em frente ao quartel. Inúmeras transformações ao longo dessas cinco décadas. Muitos foram os párocos que aqui exerceram o seu sacerdócio, cada qual ao seu modo, mas sempre somando e deixando um determinado legado para a comunidade.

COMUNIDADE – Aurenita Moraes passou a frequentar a igreja tão logo voltou a Salvador, após quatorze anos no Recife. Vindo de uma família religiosa, Aurenita aprendeu dentro de casa, no convívio com os pais, a devoção à São José. “Eu vim de uma família muito religiosa. Tenho irmão sacerdote. Estudei em colégios de freiras. Então, sempre fui devota de São José. Na minha casa, meu pai e minha mãe eram devotos de São José e Nossa Senhora do Perpetuo Socorro”, relata.  Ela conta que foi trazida para o convívio mais assíduo dentro da igreja por Nair Amaral, que segundo ela foi a responsável pela vinda da imagem Nossa Senhora dos Mares da Lagoa do quartel para a Igreja São José. Nair Amaral era filha do velho fazendeiro que inclusive deu origem ao nome do bairro de Amaralina. “Nair Amaral foi uma pessoa fundamental e fortíssima na nossa igreja. Essa igreja hoje existe graças também à Nair Amaral”, frisa a devota. Dona Aurenita, como é carinhosamente chamada na comunidade, chegou à paróquia durante o sacerdócio de Padre Antônio. A devota explica que à época de sua chegada a identificação e a receptividade da comunidade para com o santo já existia, embora de uma maneira mais simples. “ Fazíamos tudo direitinho, mas com muita simplicidade. Tinha muita gente, mas não a quantidade que tem hoje”.  De lá para cá muitas foram as mudanças na festa e, segundo ela, foi Padre Juraci o grande responsável pela visibilidade alcançada pela data de comemoração do padroeiro: “A Festa de São José era muito simples… Quem deu muita vida para a festa foi Padre Juraci. Ele estimulou muito… Levantou muito a igreja e a transformou. A intenção dele era transformar essa igreja num santuário, mas não conseguiu pois logo acabou saindo daqui…”

Assim como Aurenita, embora com menos tempo, Haydee Simões desde criança atua de alguma forma na paróquia São José. “Fiz catequese, primeira eucaristia, crisma, me casei, minha filha casou aqui… Tudo aqui”, conta. Haydee se entusiasma ao falar da festa e das mudanças ocorridas na realização da mesma ao longo dos anos. Para ela a chegada de pessoas novas, além da mudança dos padres fazem mudar o estilo da festa e justifica: “A festa acontece desde que foi criada a igreja. A cada ano com um brilho diferente e uma novidade. A carreata surgiu na época de Padre Juraci da ideia de divulgar a festa. Depois veio a missa dos pescadores. Antes tinha missa, agora é a novena. Vão chegando pessoas novas, jovens… então trazem novidades. Cada ano uma novidade. Isso faz da festa cada ano mais bonita.  Eu quero que a festa seja tão linda como sempre foi”.

Haydee destaca o trabalho de Padre Juraci como sendo de suma importância para o crescimento, não somente da festa, mas também da paróquia como um todo. “É um padre carismático. Ele chegou com aquela alegria e entusiasmo dele e mudou muito a festa. Padre Juraci foi muito importante aqui para a igreja São José, por ter começado as mudanças aqui no seu jeito de chamar e atrair as pessoas para a igreja”, explica a devota.

SACERDOTES –  Padre Juraci Gomes é apontado por muitos (como podemos ver nos depoimentos acima) como um dos grandes responsáveis pela grande adesão em torno da festa de São José em Amaralina.  Na São José, o paraíbano de Catolé do Rocha, foi o décimo sexto padre tendo chegado para substituir Padre Antônio que havia falecido.  Ficou durante dez anos, de 1992 até 2002. Sobre a sua chegada Juraci recorda:  “Quando eu cheguei aqui… A festa era pequena… Tinha morrido o padre Antônio e estava com o padre administrador. Começamos nossas obras sociais juntamente com a comunidade. A primeira obra social que a gente fez de expressão foi um cursinho de preparação para o vestibular. Isso em 1994. A partir daí, com a presença das irmãs franciscanas, que temos que dizer que foi uma benção muito grande para essa comunidade, criamos todas as obras que até hoje ainda estão funcionando”.

Sobre o festejo em homenagem ao padroeiro, Juraci relata que “o povo acolhia, mas não tinha uma devoção realmente firme a São José”. Tendo chegado em fevereiro de 1992 teve apenas um mês para organizar a festividade. “Foi tudo muito em cima da hora. A festa não tinha grande expressão. Chegamos aqui e fizemos a procissão com um grupinho bem pequeno. Subimos uma ladeira e voltamos pela outra. Quem salvou a pátria realmente foi o Padre Josafá, que na época era vice-diretor do propedêutico, onde tinha muita gente. Ele veio com uma Kombi cheia. A gente caminhou… eu falando e o povo veio atrás…”, lembra o saudoso padre.

“Depois, junto com a comunidade, a gente começou a criar, a pensar…”, recorda Juraci. E foi a partir desse trabalho conjunto que vieram a ideia da carreta, a corda de São José, a missa da Praia dentre outros projetos. “Daí começou o nosso trabalho em prol da festa como um canal de evangelização. A missa da praia foi um grande sucesso. A gente valorizando o pescador, oferecendo um café para a comunidade…. Nessa época a gente falava muito de novos métodos, então sugerimos a carreata. Na época eu bati o pé firme e disse que se não tivesse no mínimo cinquenta carros, eu não sairia. E acabou tendo bem mais que cinquenta carros na nossa primeira carreata. Depois implantamos a corda, representando o cordão das sete dores de São José… E por aí foi…”.  No ano de 2002 foi a realizada a última celebração sob sua organização, e ele recorda:   “Em minha última festa aqui, em 2002, já era uma multidão. Uma coisa assim que deixa qualquer pessoa feliz e extasiado pelas maravilhas que São José faz, tem feito e fará no Nordeste de Amaralina. Ele merece tudo que a gente fez para ele e pode ter certeza que foi muito pouco. Foi migalhas pelo que ele merece. O evangelho diz: ele é o justo. São José tem que ser tratado com muita devoção e com muito carinho”.

 Padre José Carlos esteve à frente da Paróquia São José, de novembro de 2006 até janeiro de 2013. Ele define os festejos em homenagem à São José como “a verdadeira expressão de fé do povo”. Ainda de acordo com o vigário “a importância da festa de São José é a importância da devoção que a gente tem. Acredita em São José, na finalidade dele, no papel que ele tem na igreja e acredita no que a própria tradição da igreja fala sobre ele. São José é o patrono da sagrada família e da Boa Morte. Todas essas realidades vindas do santo nos animam, pois vamos estudando e vamos vendo a importância e orientando as pessoas que não acreditam”.  José Carlos destaca a grande receptividade não somente por parte da comunidade local, mas por toda comunidade católica. “Aqui em Salvador, tirando Nossa Senhora, não vemos nenhum outro santo que supere a devoção e a participação de São José. Se tiver um outro santo não é uma devoção assim folclórica. Tem muita gente que vai atrás de devoções folclóricas, mas São José não. Aqui em Salvador como em outras igrejas nas quais ele é patrono, ele arrasta multidões”. 

O novo pároco da São José de Amaralina, o Padre Jair Arlêgo destaca que a festa em homenagem ao padroeiro é sempre um momento de revitalização da vida pastoral de toda comunidade. “É o momento em que todas as comunidades que compõem essa mesma paroquia reforcem os laços de afeto fundados na fé que nós professamos”, ressalta o sacerdote. De acordo com Arlengo, celebrar São Jose é um momento importante, uma vez  que ele é o patrono universal da igreja e justifica: “Toda igreja, no mundo inteiro, é confiada ao patrocínio de São José. Então, é uma data que não só é motivação de grande alegria para nossa paróquia, mas para a igreja presente no mundo inteiro”.

 “Sabia que era uma festa muita grande, atingia muita gente. Agora estou vendo que os comentários não foram exagerados. Creio que vou ver grandes belezas aqui. Já presenciei grandes testemunhos de fé, de piedade, de empenho, de dedicação e é algo que me comove como padre. Isso é muito gratificante, pois renova o nosso ardor”, completou Jair.

DEVOÇÃO –  Meu divino São José  / Aqui estou a vossos pés / Dá-nos chuva com abundância / Meu Jesus de Nazaré (Gilberto Gil)

Muitas são as histórias de devoção e testemunhos de graças alcançadas pela intercessão de José. O turismólogo, Anderson Gomes há treze anos convive assiduamente no referido templo cristão. Gomes frisa que a devoção especifica a São Jose se deu de modo continuo a partir do momento em que ele começou a vivenciar a rotina da comunidade e explana: “A partir do conhecimento do próprio santo e das experiências que as pessoas viveram no seu dia à dia a gente passou a ter uma intimidade maior sobre a vida de São José e admirar todo o trajeto dele e tudo aquilo que se é possível fazer através da sua intercessão, e principalmente pelo seu exemplo”.

No ano passado, após muito tempo empregado, Anderson acabou ficando desempregado em Janeiro. Quando foi em março durante a novena de São José, o fiel que é casado e pai de uma menina, arrumou um novo emprego. “Obvio que durante essa novena eu pedi muito a São José que intercedesse em favor dessa causa e eu consegui o emprego”, relata. Nesse ano, na festa de São José de 2017 aconteceu a mesma coisa, mas não com ele. Sua esposa já estava muitos anos sem trabalhar e segundo ele vinha rezando muito especificamente por essa causa. O resto fica por conta do próprio Anderson: “Claro que poderia acontecer em outro momento, mas a novena de São José é um tempo propicio para isso. Ontem rezamos por essa causa. Nossa filha rezou por essa causa. E hoje tivemos a notícia que ela começa a trabalhar amanhã. Mas acho que a grande graça é principalmente o exemplo de São José. É aquilo que vai além de um emprego. São José me ajuda muito a ser um trabalhador honesto, coerente, a não passar por cima de ninguém, a ser uma pessoa simples, humilde e de caráter, ser Pai e esposo. Tenho ele como modelo”.

Que a graça de São José se faça presente em toda a comunidade… Viva a São José!

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU