Prefeitura retira barraqueiros do final de linha do Nordeste de Amaralina: “Não estamos roubando e nem fazendo nada de errado”.

Em operação conjunta com a Políica Militar, agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), órgão vinculado à Prefeitura de Salvador, realizaram a retirada das barracas no final de linha do Nordeste de Amaralina. A ação aconteceu na tarde desta segunda-feira (28).

De acordo com uma ambulante, que por medo de represálias preferiu não se identificar, a ação pegou a todos de surpresa, uma vez, que a Prefeitura não havia feito qualquer tipo de aviso prévio.

“Não foi dado nenhum prazo.  Mandaram que fossemos nos regularizar de imediato. Em plena pandemia estamos tentando simplesmente sobreviver, pagar as contas e nos alimentarmos e mesmo assim somos impedidos de trabalhar honestamente.  Não estamos roubando e nem fazendo nada de errado. Só quero sobreviver trabalhando como ambulante. A prefeitura não pode chegar ordenando que todos se retirem imediatamente e que quem quiser que alugue uma loja. Ora, se eu tivesse dinheiro para alugar uma loja eu estaria tomando sol, chuva e tempestade para estar ali vendendo de domingo a domingo? É muito deboche da prefeitura de Salvador!”, desabafou Wania Paiva, que trabalhava vendendo plantas e máscaras.

“Não quero nada de graça. Se tiver que pagar uma taxa, pagaremos. Mas que seja uma taxa momentânea, não do jeito que eles querem que é que a gente se registre como ambulante. Quem é ambulante fixo e que se registre. Nossa situação é de sobrevivência, pagar contas…Não sou moleque, não sou marginal e não sou irresponsável.  Estou me virando como posso”, acrescenta a ambulante.

Há quatro anos desempregada, Wanya, juntamente com o irmão, vem tirando da pequena barraca o sustento para a família:

“Tenho 4 anos desempregada. Queria um emprego de carteira assinada, mas infelizmente não tem. Não existe vaga para quem tem mais de 50 anos. Antes da pandemia meu irmão trabalhava com eventos em festas de casamento, formaturas e aniversário. Meu último emprego como sinaleiro da OAS. Trabalhei também durante três anos e meio como segurança na Concha Acústica e como fritadeira de salgados em eventos.  Por conta da pandemia, diminuíram-se os empregos e as oportunidades.  Não quero ser ambulante pelo resto da vida. Não é o meu propósito. Eu estudei. Não é querendo desmerecer a profissão, até porque hoje eu vivo dela. “.

“É duro acordar todos os dias de madrugada para trabalhar e quando chega  no final da tarde de uma segunda-feira chegar a Semop, juntamente com a polícia armada, coagindo você para retirar seu material como a máxima urgência. Só peço que alguém do bom senso nos ajude a resolver essa situação”, conclui Wanya.

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Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU