Vida de Uber – Motoristas de aplicativo relatam dificuldades da profissão.

Medo e insegurança fazem parte da rotina da categoria

Ser motorista de aplicativo em Salvador, em especifico no bairro do Nordeste de Amaralina, tem demonstrado ser uma situação bastante delicada. Ser “Ubeiro” ou “Uber” talvez soe estranho logo de cara. Ainda que não seja uma palavra popularmente conhecida e muito menos regulamentada pelo Ministério do Trabalho, quando se pensa em fazer uma viagem de automóvel e pagando pouco, vem a famosa frase na cabeça:“vou chamar um Uber”. O serviço ganhou o Brasil. 

Em uma crise que deixou 12 milhões de desempregados, parece atraente a ideia de reforçar a renda com algumas horas de trabalhos diárias, em regime flexível. Quem decide se colocar atrás do volante, no entanto, encara outra realidade. 

A imagem do motorista competente e prestativo, que oferece água e bala de hortelã, está ficando para trás. Foi substituída por pessoas que, para não ficarem no prejuízo, dirigem à exaustão, fazem plantão de doze horas, abordam clientes nas calçadas e chegam a organizar cartéis.

Essas e outras questões fazem parte da rotina de milhares de “Uber” que rodam em Salvador, em especial, aos trabalhadores da nossa comunidade.

A nossa equipe entrevistou dois deles para saber um pouco mais da suas rotinas.  Entre os assuntos abordados foram a violência e local de difícil acesso.

De acordo com Lucas Mardoso, 30 anos, a violência está no topo do ranking.

“Salvador é uma cidade grande e com muitos bairros, infelizmente em alguns lugares não podermos entrar, se for a noite, pior. Sendo que a noite o fluxo de corrida é maior”, desabafa o morador do Nordeste que presta serviço há dois anos ao aplicativo.

Segundo *Ricardo Mattos ser motorista de aplicativo é conviver com o medo:

“Coloco Deus na frente e penso no alimento dos meus filhos. Vivo na insegurança. Não somos regularizados qualquer coisa pode nos acometer e nossos filhos ficarão sem nenhum tipo de assistência. Há mais de cinco anos na área, convivo diariamente: valores de corrida muito barato, locais de difícil acesso, passageiros que quer mandar nos motoristas, passageiros bêbados, assaltos constantes e lugares perigosos”, listou o profissional.

*nome fictício

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Amante da Literatura, apaixonado pelas Letras. Discente de Letras Vernáculas e Língua Inglesa, poeta, escritor , blogueiro, professor e Repórter do site NES.