#CasoRyan – “O sonho dele era ser um grande jogador, um Neymar da vida, para poder me dar uma casa”, afirma mãe do jovem

Um menino saudável, alegre, extrovertido, brincalhão, comunicativo e que se dava bem com todo mundo. Assim era o garoto Ryan Andrew, nove anos de idade, morto na última sexta-feira (26), durante uma ação policial no bairro do Vale das Pedrinhas.

Nascido no dia 18 de junho de 2011, em Salvador, Ryan pode-se dizer que foi nascido e criado no Complexo Nordeste de Amaralina. Filho da comerciante Cássia Pereira dos Santos e do pedreiro José Flora, Ryan morava com a mãe e o irmão de cinco anos, fruto de uma outra relação.

“Eu estava morando de aluguem, mas pelo fato dos aluguéis estarem muito caro, nós estávamos passando um tempo na casa da minha mãe, aqui no Vale das Pedrinhas, até achar um aluguel disponível. Larguei meu trabalho para juntar um dinheiro para abrir uma pastelaria e ficar mais perto dos meus filhos”

O jovem fazia o 3º ano na escola municipal Santo André, no Vale das Pedrinhas. Tanto na Rua das Bananeiras, quanto na escola, o jovem era querido pelos vizinhos, colegas e classe e amigos.

“A vizinhança toda gostava dele. Um pouquinho brigão, mas um menino muito amável. Gostava muito de ir para escola. As professoras gostavam muito dele. Ele era um ótimo filho. Eu amava minha criança. Não tinha problema de saúde nenhum”, conta dona Cassia.

Sonho  – Torcedor do Esporte Clube Bahia Ryan era apaixonado por futebol. O glamour e a fama do mundo da bola somado à vontade de ajudar a mãe seduziam o jovem negro e morador da periferia. Os gols, na visão de Ryan, eram a possibilidade de uma vida melhor.

“A paixão de Ryan era bola. Ele amava jogar futebol. Chegou a fazer escolinha na Boca do Rio…O sonho dele era ser um grande jogador, um Neymar da vida, para poder me dar uma casa. Ele disse que ia lutar para me dar uma casa”., conta dona Cássia, aos prantos.

O dia – Como não poderia deixar de ser, a fatídica noite do dia 26 de março de 2021 está fresca na memória de dona Cássia. Ryan saído para brincar com os amigos na casa de uma tia. Ao se despedir do filho, a dona de casa não imaginava que não o veria mais com vida, com ela mesmo conta:

“Ele tomou banho e foi para casa da tia dele, ali na frente da porta da nossa casa. Estava brincando de bola com os amigos. Num dado instante ele saiu para pegar a bola e coincidiu com o momento em que chegou um camburão com três policiais. Esses policiais saíram do carro e efetuaram três tiros. Um dos tiros agarrou no braço de Ryan, atravessou e atingiu seu pulmão. Todo mundo saiu correndo. Ryan chegou caindo na casa da vizinha. Ryan ainda estava vivo, respirando. Ela começou a gritar por socorro e dizendo que tinha um menino baleado. Eles demoraram de dar socorro. Nessa demora Ryan chegou a ter uma hemorragia e o olho do meu filho chegou a entortar vindo a óbito.”, conta.

“Eles pegaram meu filho como se fosse um lixo. Um dos PMs disse que não ia pegar para não sujar sua farda. Jogaram meu filho no camburão como um lixo. Os amiguinhos que vieram me avisar. Como ele estava com a tia eu fiquei despreocupada. Ninguém pensa que isso vai acontecer com nosso filho. Quando eu fui ele já não estava mais. Peguei um carro e fui atrás. Os policiais estavam lá, na maior cara de pau. Meu filho já chegou la desacordado, sem vida. Os médicos tentaram reanimar, mas não tinha mais jeito. Se não tivesse demorado de dar socorro meu filho poderia ter sobrevivido.”, acrescenta.

“Pretendo seguir firme e forte lutando por justiça para não deixar nada impune. Para que não venha outras mães chorar e sentir a mesma dor que eu estou sentindo. Meu filho era cheio de saúde, forte, sonhador… Não posso deixar isso morrer dentro de mim.. Não posso enfraquecer… Vou seguir em frente”, finaliza Cassia.

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Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU