Comunidade celebra 8ª edição da Caminhada do Povo de Santo do Nordeste de Amaralina

O som do ijexá ecoou por todo Complexo Nordeste de Amaralina. Foi a 8a edição da Caminhada do Povo de Santo realizada na manhã deste domingo (22). O cortejo, que  partiu do final de linha em direção ao Sítio Caruano, reuniu dezenas de adeptos e simpatizantes das religiões de matriz africana que exibiam orgulhosos seus lindos axós (vestimentas usadas nos terreiros de candomblé). Esse ano o evento teve como tema uma homenagem às Mulheres de Axé.

Um dos organizadores da Caminhada, o diretor jurídico do NES, Rodrigo Coelho, destacou que “a importância da caminhada do povo de santo  vai muito além da questão religiosa”: 

“É a reafirmação da história  e da cultura do nosso  povo  e o combate  à intolerância. A história da Bahia e a cultura se confunde com a história do povo  negro e com a história do candomblé. Desde 2011 que  estamos organizando  a caminhada e cada dia mais enxergamos um maior número de participantes”.

Responsável pelo padê (cerimônia em honra a Exu), que deu abertura à Caminhada, Mãe Rosinha de Obaluaê lembrou do babalorixá João Luis (já falecido), o principal idealizador do evento:

“Aqui é um ato de luta contra a intolerância religiosa. É um evento que foi idealizado por meu pai de santo, João Luis, uma pessoa maravilhosa e que tinha um sonho de ver isso aí. Com certeza, onde ele estiver, está feliz em ver a caminhada linda do jeito que está”.

Preconceito – O Babalorixá Alessandro de Ossain, do recém fundado Terreiro Ilê Axé Awro, a caminhada é de fundamental importância na luta contra o preconceito. De acordo com o sacerdote ele mesmo já fora vítima de preconceito dentro bairro:

“Por ter passado por vários lugares do Brasil e de ter visto pouco movimento nesse sentido, é muito importante ser morador daqui e me deparar com uma iniciativa como essa. A gente acha que o candomblé, por ser uma religião de tradição, já baniu e se esqueceu a idéia de que a gente é perseguido. Ainda hoje somos olhados de forma diferente por com eketé, um fio de conta…Já fui vítima de preconceito aqui mesmo em minha casa, no Nordeste. O pessoal da igreja da esquina levantando as mãos nos repreendendo. Isso para a gente é constrangedor”.

FALA POVO:

Pai Leo de Oxóssi

Essa caminhada é muito importante para o povo de axé e mostra para toda a comunidade que o candomblé das imaginações. Aqui podemos expressar o amor da nossa religão. Mostra para todos que nós, povo de matriz africana, pregamos a paz e união.

Deputado Jacó – deputado estadual

Gostaria de parabenizar os organizadores pelo evento de resistência e de grande simbologia.

Pai Careca

Espero que essa caminhada possa acontecer por vários anos e que possa crescer ainda mais. Aqui a gente mostra o  nosso amor pela religião.

Nayara Petrato – candomblecista

“É muito importante no sentido de reunir a galera… Mostrar um pouco da nossa cultura, além de um ato de resistência da religião, do povo negro…Esse ano falando com o tema da mulher que é muito interessante. É mostrar para o bairro que existem vários terreiros aqui”.

Verônica  Nonato- diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI)

“É um prazer enorme estar aqui, sobretudo para mim , como mulher. Trazemos um abraço do governo do estado, através do CCPI. Entendemos que temos uma responsabilidade muito grande frente às culturas identitárias e o povo de santo e, especialmente hoje as mulheres de santo, recebem o nosso axé.

Marina Duarte –  Unegro

Essa caminhada é de suma importância para ressignificação e fortalecimento da comunidade de axé. Viva ao Nordeste de Amaralina! VIva a comunidade de axé! E Viva, principalmente as mulheres negras que sustentam essa religião.

Márcia Ministra –  ativista

A intolerância religiosa está em todos os cantos. Aqui no Nordeste de Amaralina a intolerancia e odio religioso ainda persiste. É de suma importância estarmos aqui hoje protestando e dizendo que merecemos respeito.

Cristiano Lima – Conen (Coletivo de Entidades Negras)

Acima de tudo essa caminhada é um símbolo da resistência do povo preto que sobreviveu durante a pandemia. Hoje é sair para rua e fazer referência a essa turma e a nossa ancestralidade. É dizer que o povo negro está vivo e unido.

Érico Martins

Úm apoio importantissimo o respeito à cultura afriacana. É de suma importância um evento como esse. Temos que fazer mais vezes! Sou católico mas defendo a valorização e o respeito pelo candomblé.

Denner “Du Black” – O que fazer no NA

Como candomblecista e afro acho muiito importante estar participando dessa rede de mídias comunitárias de Salvador e ver esse incentivo à cultura de matriz africana. O Nordeste de Amaralina é um dos maiores berços culturais de Salvador. Ficamos feliz de ver essa mídia comunitário que é o Nordesteusou evidenciando e enaltecendo a cultura do povo de santo.

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Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU