Moradores do Complexo Nordeste de Amaralina investem na produção e venda de licor; conheça história desses empreendedores

Uma das principais marca da mais expressiva festa da região Nordeste do país, o licor figurinha fácil na mesa de São João, tanto na capital quanto no interior. No Complexo Nordeste de Amaralina, além de apreciada a bebida é significado de oportunidade, seja por aqueles que fabricam ou por aqueles que somente revendem o saboroso elixir nordestino. Maracujá, passas, jenipapo, cajá ou jenipapo. Do tradicional, cremoso ou gourmet, as opções são variadas, mas os a garantia é sempre de satisfação. Veja algumas histórias de empreendedores da região que apostam na venda de licor para enfrentar a crise.

Saborear – Esse foi o caso, por exemplo, da publicitária Mara Rubia, 27 anos, que, juntamente com a família, resolveu revender o licor “Saborear”. Oriundo do município de Jequié, a marca surgiu meio que por acaso, fabricado de forma artesanal, no “fundo de casa”. Moradora da Chapada do Rio Vermelho, Mara Rúbia descobriu a marca através de suas viagens ao interior.

“Meu pai é de Jequié. Lá tem uma família que é muito próxima à nossa onde a matriarca faz licores em casa. A princípios eles começaram a vender lá por Jequié e região. Outras pessoas foram se interessando em revender. Daí nos fizeram uma proposta se a gente não queria ser um dos revendedores aqui em Salvador. Eu e minha irmão topamos a ideia”, explica Mara.

O negócio já tem cinco anos. Ano passado, por conta da pandemia, a ideia era somente comprar a quantidade para consumo próprio, no entanto, com a alta procura os planos tiveram que ser alterados. Como explica a publicitária:  

Só íamos fazer os pedidos da gente. Acontece que quando começou a época próxima ao São João os amigos começaram a perguntar. Acabamos então fazendo um pedido maior. Vendemos absurdamente no ano de 2020. Foi o ano que mais vendi licor. Todo mundo que comprou comigo comprou mais de uma vez. O produto é de qualidade e por isso as pessoas procuram. O que diferencia realmente é o sabor. Os licores são maravilhosos. Muito saborosos. Sou muito suspeita porque eu já gostava…Temos muito orgulho em vender o licor “Saborear”.

De acordo com Rúbia, os sabores são divididos entre tradicionais e cremosos:

“Esse ano temos uma novidade que é o licor de doce de leite. Nosso carro chefe é o licor de mousse de maracujá e chocolate. Estamos com grande expectativa, inclusive fizemos uma compra maior. Estamos planejando colocar barraquinhas ao redor do bairro. Como 2020 foi uma surpresa a gente quer vir com tudo esse ano.”

Licor Artesanal – O caso de Alan Oliveira, morador do Vale das Pedrinhas, foi diferente. Antes de se tornar consultor de bares e restaurantes (Bartender Mixiologista), Alan trabalhou como barman e lavando copos em estabelecimentos da cidade.  

“Achava os drinks bonitos e então resolvi aprender a fazer. Participei   do campeonato baiano de drinks aqui em salvador, onde fiquei na terceira colocação lugar. Percebi que era essa a profissão que queria atuar”, explica.

Trabalhando em um famoso restaurante no bairro do Rio Vermelho, Alan criou seu primeiro drink, o “Pôr do Sol”, uma mistura de beterraba com vinho branco.

“Viajei   para outros estados e cidades (Rio de janeiro, Recife, Aracaju, Belo Horizonte, Minas Gerais, São Paulo, e Morro de São Paulo,) representando a Bahia e   também buscando mais conteúdo e aprendizado.  Hoje sou chefe de bar profissional e presto consultoria”.

A experiência na criação de bebidas, adquirida durante suas andanças no trabalho de barman, foram decisivas para que Alan iniciasse sua produção de licor:

“A produção do   licor veio através de conversas com os mais velhos na cidade de Cachoeira-BA. Comecei a fazer testes com aromas, sabores, especiarias e insumos. Em 2015, fiz uma quantidade pequena de licor (não para venda). Entre 2016 e 2018 continuei fazendo para venda, mas ainda de forma discreta. De 2019 pra cá, comecei a comercializar de fato o produto, fazendo mais de 40 garrafas”.

De acordo com Oliveira, a pandemia acabou prejudicando seu projeto que ficou inviabilizado no ano passado. Em 2021, com a ajuda da esposa Gilmara Santos, Alan pretende dar a volta por cima:  

“Minha esposa teve a ideia de fazer licor em grande quantidade, já que  tinha a base e a experiência em vendas.  Foi a partir daí que começaram a preparação para reconstruir as caldas e fazer um lote de 100 garrafas, que já foram vendidos. Estamos no segundo lote que começam a ser vendido no final de maio”.

“Temos sabores sortidos. Amendoim, jenipapo, maracujá e tamarindo…Esse ano, as novidades são acerola e café com chocolate. Seu diferencial é o carinho e o amor com o que produzimos e com nossos clientes. Nossas bebidas são 100% artesanais, garantindo a tradicionalidade e os sabores das bebidas.   É importante salientar que o licor é todo produzido por mim.  A única coisa que não faz parte diretamente da minha produção, é o destilado, que vem   de Amélia Rodrigues”, acrescenta Alan.

Licor Xonadinhos – Assim como Alan, Renan Luis, 22 anos, morador do Morro das Vivendas, no Complexo Nordeste de Amaralina, trabalha como barman e trouxe as experiências vivenciadas nessa profissão para a produção de licores. O diferencial da sua bebida, segundo o próprio Renan, é justamente o fato de “casar o tradicional com o contemporâneo”.

“Sempre tive essa questão de fazer trabalho com misturas de drinks e tal. Me aperfeiçoei bastante nessa área. Procuramos pegar o que é antigo (jenipapo, tamarindo e outras) com frutas atuais como morango pitaia e amora. A ideia casar o antigo com o contemporâneo”, explica o jovem que trabalha como Bartender em uma rede de hotéis de Salvador.

A ideia de produzir e comercializar licores surgiu, de acordo com Renan, no sentido de “levantar uma renda extra”:

“Pesquisei, estudei, peguei algumas referências de Cachoeira, onde tem um licor famoso, e fui tentar extrair um pouco desses licores feitos lá. Entrei em uma parceria com uma amiga do trabalho que me auxilia na produção das bebidas”.

Ainda segundo o microempresário, a escolha do nome “Xonadinho Licor” tem  como objetivo conscientizar os casais apaixonados a curtirem o São João dentro de casa, por conta da pandemia:

 “Eu coloquei Xonadinho inspirado na pandemia para que  os casais curtam o São João em casa juntos e coladinhos”.

Licor Duetto – Como forma de driblar a crise, Lanna Costa, 22 anos, e seu namorado, Roger Conceição, 21 anos, resolveram se aventurar na fabricação e venda de licor. Sem experiência no ramo, o casal resolveu pesquisar na internet.

“A ideia surgiu quando ficamos desempregados devido ao Lockdown em nossa cidade, por conta do avanço da Covid-19. Próximo ao São João, pensamos em fazer licor para cobrir o salário que, naquele mês não teríamos. Pesquisamos na internet como fazer o licor gourmet. Fomos testando… No começo não deu muito certo, não…Mas depois, quando a gente acertou o ponto, foi bastante tranquilo.  Este está sendo o segundo ano de venda da Licor Duetto”, conta Lanna que hoje trabalha como recepcionista em um hospital da cidade

De acordo com a jovem, a produção é “100% caseira e em família”:

“Todos participam ativamente no negócio. Trabalhamos para sempre surpreender os nossos clientes com os sabores e cremosidade do nosso licor. Feito com dedicação, cuidado em escolher sempre os melhores ingredientes para produção e muita atenção”, explica a jovem.

“Ano passado, apostamos nos sabores de Morango e Maravilhosa como carros chefes nas vendas.  Este ano, mantivemos os mesmos sabores, e junto a ele, o Leite Ninho com chocolate. É surpreendente cada feedback que recebemos ao falarem dos nossos produtos. Ficamos extremamente gratos em termos alcançado o resultado satisfatório no que nos dispomos a fazer. Cada comentário positivo e reconhecimento, enaltece nosso coração de alegria!”, completa.

Licor do Eliseu – Natural de Maragojipe, à 141 Km de Salvador, Dermeval Neri de jesus ou simplesmente “Dereu”, como é conhecido, chegou no Nordeste de Amaralina há 35 anos atrás. Hoje, aos 52 anos de idade, e trabalhando como Analista de Controlodoria, Dereu é mais um que apostou na venda de licores para faturar uma grana extra. A ideia surgiu meio que por acaso, como ele mesmo conta:

“Eu sou do interior. Quando eu vim para cá aos 16 anos, eu trouxe uma caixa para beber com os amigos…Os vizinhos então gostaram. No ano seguinte, trouxe duas ou três caixas e comecei a vender. Já vendo esse licor aqui no bairro há 15 anos. Quem produz é um primo meu lá de Maragojipe. Ele tem uma produção grande lá. Ano passado vendi quase 45 caixas”.

“Os mais vendidos são jenipapo, cajá e tamarindo. O diferencial é que nosso licor é feito da cachaça, não de álcool. O licor é caseiro”, ressalta Dermeval.

De acordo com Dereu, com a comercialização das bebidas é possível “faturar uma grana legal”.

“O dinheirinho da bebida. Dá para tomar uma cervejinha de vez em quando… (risos). Comecei vendendo por esporte, não por interesse da grana. Mas aí começou a dar uma rendazinha….”, salienta.

MAIS INFORMAÇÕES:

Licor Saborear

Contato: (71) 71 9313-9329 (Mara Rubia)

Licor Artesanal

Contato: (71) 9180-9495 (Alan Oliveira)

Licor Xonadinho

Contato: (71) 9365-9438 (Renan Luis)

Licor Dueto

Contato: (71) 8134-0535 (Lanna)

Licor do Eliseu

Contato: (71) 9914-1454 (Dereu)

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Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU