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Mostra “CONEXÕES DE QUEBRADA” reúne peças de comunicação com o olhar de jovens sobre suas comunidades

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As subjetividades, os cotidianos e os múltiplos olhares de jovens sobre o mundo revelados em peças de comunicação produzidas por garotas/os de bairros periféricos de Salvador. Essa é a proposta da Mostra “Conexões de Quebrada”, que acontece entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro (terça à quinta-feira), das 14h às 18h, no Museu de Arte da Bahia (MAB), com entrada gratuita. Passeando por temas como identidade, gênero, raça e cultura, a exposição marca o encerramento de projeto realizado pela CIPÓ – Comunicação Interativa na capital baiana.

A Mostra reúne fotografias, vídeos, produtos de design e de áudio produzidos por jovens dos bairros de Fazenda Coutos, Plataforma, Boqueirão (Nordeste de Amaralina) e Beiru-Tancredo Neves. As peças foram elaboradas ao longo de 15 meses por cerca de 170 jovens moradoras/es destes quatro territórios. “São garotas/os criminalizadas/os pela pobreza, vítimas de racismo e que, por consequência, possuem baixa escolaridade e estão fora do mundo do trabalho”, explica o coordenador de projetos da CIPÓ, Leandro Vilas, destacando que na prática as políticas públicas costumam não chegar até estas pessoas.

Serem reconhecidas/os e valorizadas/os faz toda diferença para as/os jovens. Taline Felicíssimo, 19 anos, mora no Beiru e conta que as atividades lhe ajudaram a ter mais autoconfiança. “Quando eu comecei a participar do projeto, até queria fazer faculdade, mas não tinha motivação e aqui passei a ter. Pude enxergar outros caminhos, conhecer e me apaixonar por outras áreas. Passei a pensar em oportunidades melhores para o meu futuro”, explica.

Para a assistente social e educadora do projeto, Francidiane Barreto, o projeto trouxe mudanças positivas na relação entre as/os jovens e a comunidade.  “É um público visto de forma pejorativa pela população. Mas, quando saem com a câmera nas mãos fotografando o bairro ou quando apresentam suas produções durante as mostras locais, convocam as pessoas a terem outra visão sobre elas/es”, conta.

O contato com as linguagens da comunicação também ampliou o repertório de conhecimentos e olhares das/os jovens sobre o mundo. “As aulas de vídeo me fizeram ter uma imagem melhor sobre as coisas e pessoas. Nas oficinas de fotografia, eu aprendi a ter inspiração artística. Com o design descobri que o grafite, que antes eu discriminava, é também uma forma de arte”, destaca Maicon Luiz dos Santos, 22 anos, morador de Plataforma. Além das oficinas na área de comunicação, as/os jovens participaram de formações sobre temas como direitos, sexualidade, racismo, identidade e redução de riscos e danos.

O psicólogo Breno Fagundes, que acompanha as turmas nos territórios de Plataforma e Fazenda Coutos, destaca o impacto positivo da atuação das/os jovens nas comunidades. “Ao ampliarem seus potenciais, as/os meninas/os colaboram para o desenvolvimento dos territórios onde vivem, contribuindo para a desconstrução de estigmas sobre esses lugares”, explica.

Para Paulo Copioba, educador de áudio, o afeto e o cuidado são preponderantes no trabalho com as/os jovens. “Nós educadores ofertamos um pouco do que compreendemos sobre as coisas, mas também aprendemos muito. Acolhemos com afeto e somos também acolhidos”, conta. Laila Carolaine, 18, moradora do Beiru e participante do projeto, concorda. “O aprendizado maior que eu levo daqui é a amizade, um ajudar o outro independente das diferenças. Aqui a gente se ajuda muito”, reforça a jovem.

Juventudes e comunidades – Desenvolvido pela CIPÓ entre 2017 e 2018, o projeto reúne resultados exitosos: foram 20 mostras de comunicação realizadas e mais de 7.000 atendimentos sociais prestados. Asatividades, conduzidas por uma equipe formada por assistentes sociais, psicólogos, pedagogos e educomunicadores, se fundamentam na perspectiva da Redução de Riscos e Danos.

Desde 2013, instituições já desenvolviam ações de redução de danos físicos e sociais com usuários de drogas em situação de rua, no Centro Histórico de Salvador. “Ao perceberem que esse público era formado por jovens que migravam de suas comunidades, a CIPÓ foi convidada a realizar este trabalho preventivo com a juventude”, explica Leandro. A proposta é que os territórios sejam espaços que acolham garotas/os em situação de vulnerabilidade para reduzir as possibilidades de envolvimento destas/es em atividades ilícitas, evitar que passem a viver em situação de rua ou que façam uso abusivo de substâncias psicoativas.

Comunicação e garantia de Direitos – Em paralelo às formações nas áreas de educomunicação e desenvolvimento pessoal e social, as/os jovens recebem suporte e acompanhamento no acesso aos serviços da rede pública de atenção e cuidado. “Um dos elementos chave para o trabalho com este público é garantir que ele tenha acesso a serviços básicos como saúde, assistência social, educação, cultura e justiça. Só assim podemos falar em uma efetiva garantia de direitos”, complementa Leandro.

Além do atendimento direto às/aos jovens, a CIPÓ também contribuiu para trazer para a agenda pública de debates temas relacionados à política sobre drogas e à defesa de direitos da juventude. Foram 13 sugestões de pautas enviadas para mais de 1.000 comunicadores de veículos comunitários e de massa. “Ao pautar a mídia para uma cobertura qualificada sobre esses temas, estamos contribuindo para dar visibilidade ao assunto e convocar a sociedade para um debate mais aprofundado sobre essas questões”, explica Nilton Lopes, coordenador da Área de Comunicação e Ação Política da CIPÓ.

SERVIÇO:

O quê? Mostra “Conexões de Quebrada”

Quando? 30 de outubro a 01 de novembro (terça a quinta-feira), das 14h às 18h.

Onde? Museu de Arte da Bahia – MAB (Av. Sete de Setembro, Corredor da Vitória, nº 2340, Salvador – BA).

Redação NES
Redação NES
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