[Pobreza menstrual] Conheça o retrato dessa realidade na comunidade do Nordeste de Amaralina.

Foto: Reprodução

Mulheres do Complexo Nordeste de Amaralina sofre com a falta de absorventes

Você já ouviu falar em pobreza menstrual? Esse é um termo utilizado para definir a ausência de acesso a produtos de higiene íntimo e que atinge milhões de mulheres Brasil a fora. Nas comunidades periféricas essa realidade é ainda mais dura.  

 
De acordo com pesquisas recentes, uma em cada dez adolescentes deixam de ir à escola quando estão menstruadas. Ainda segundo esses dados, o número se torna ainda maior para muitas delas que optam por não saírem de suas casas nós dias que estão menstruadas para realizarem atividades externas por não terem absorventes. Com ausência do produto muitas delas usam algumas alternativas como: papelão, miolo de pão, roupa velha, saco plástico, e tecidos customizados. 

 
Para Flávia Santos, coordenadora da escola municipal Zulmira Torres, no Nordeste de Amaralina, em pleno século 21 : 

” O tema da menstruação ainda é vedado, por isso dificilmente as meninas relatam sua dificuldade em relação ao problema, por vergonha de se expor”, explica 

 
Ainda de acordo com Flávia, tentando atenuar o impacto da evasão das adolescentes na instituição, foi criado um projeto de apoio: 

 “Como existem várias situações de meninas que não têm condições financeiras de ter acesso a absorventes, temos sempre um kit solidário na escola.  Professores e gestão doam absorventes para uma reserva na escola e temos sempre algumas peças de roupa (calças e bermudas) disponíveis caso aconteça algum incidente por vazamento de sangue menstrual. Também buscamos conscientizar os alunos, principalmente os meninos, de como agir diante uma colega que passa por uma situação constrangedora”. 

Saindo do âmbito escolar, e partindo para os lares, por trás dos muros, portas adentro, e janelas afora, essa realidade não é tão diferente. Diante da crise financeira, escassez de oportunidades no mercado de trabalho, falta de políticas e investimento na saúde pública, muitas mulheres lutam com esse dilema dentro das suas casas. Como é o caso da adolescente de 15 anos, Vivian Santos, moradora do Vale das Pedrinhas, que terá sua verdadeira identidade preservada.  

Segundo relatos da jovem, muitas vezes a alternativa encontrada era o lençol recortado. “Sou receosa de relembrar, mas muitas das vezes minha mãe não tinha o dinheiro. Então, recorria a tecidos que eu mesma recortava”, desabafa. 

Francisca Medeiros, Assistente Social, Pós graduanda em Saúde da Família e voluntária do projeto Justiceiras e Movimento Mulheres Livres, diante do problema, faz um alerta: “Em nossa comunidade, de alta vulnerabilidade socioeconômica, a pobreza menstrual têm efeito grave sobre vários aspectos:1- A convivência social, 2- O preconceito,3- A discriminação,4- A evasão escolar, dentre outros”, diz a moradora da comunidade.  

Ainda segundo Medeiros, algumas medidas devem ser tomadas: “Precisamos de políticas públicas para a efetivação de direitos, a exemplo de: distribuição de absorventes descartáveis externos e internos em postos de saúde; Palestras em escolas a respeito da importância da higienização do uso e descarte dos absorventes; Conscientização da família, distribuição. Muitas meninas ao iniciar seu ciclo menstrual não possuem estrutura física e mínimas condições de higiene em suas casas. Absorventes são caros e muitas vezes não há condições de manter as necessidades básicas. Muito menos o custo com absorventes, sabonete, ou mesmo água encanada. Há um investimento mínimo em saneamento básico em nossa comunidade, e muito menos em qualidade de vida ou esclarecimento quanto à importância de uma vida com qualidade mesmo no período menstrual. Não basta distribuir absorventes ou anticoncepcionais, há a necessidade de apoiar e orientar quanto ao cuidado, à saúde e tratamento para amenizar o período”, finaliza. 


 

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Amante da Literatura, apaixonado pelas Letras. Discente de Letras Vernáculas e Língua Inglesa, poeta, escritor , blogueiro, professor e Repórter do site NES.