[Bastidores da Moda] “Eu era apontada, debochavam, não podia usar o cabelo armado, gargalhavam entre si”, desabafa Vanessa Amorim sobre sua vida na Índia.

Em entrevista exclusiva e reveladora ao NES a top model Vanessa Amorim fala da carreira internacional, família, preconceito, experiência e dificuldades fora do Brasil.

A modelo e ex-moradora do Vale das Pedrinhas Vanessa Amorim, 24 anos, com sua beleza, carisma e talento conquistou o Brasil e o mundo. A top model coleciona no currículo participações em novelas da Rede Globo, concursos, comerciais de conceituadas marcas de cosméticos e shoppings de Salvador, além de estrelar campanhas ao lado da cantora baiana Ivete Sangalo.

Reprodução redes sociais

 Há quase um ano a modelo investiu na carreira internacional, após fechar um contrato com uma famosa agência deixando a família no Vale das Pedrinhas a fim de trabalhar no segundo país mais populoso do mundo.

 Vanessa nos concedeu um pouco do seu tempo e falou ao NES em entrevista exclusiva e reveladora como está sendo viver fora do Brasil. “Não é fácil, uma mudança radical! Porém, abracei a oportunidade. Estou com saudades de tudo. Aqui é outra realidade. Desde o clima e costumes, passando pela música..,”, desabafou. 

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A Ìndia é considerada uma república que possui complexa riqueza cultural. A multiplicidade cultural foi um dos aspectos que fez a jovem repensar sua permanência. “Difere da minha realidade no Brasil. Eu estou fora da minha zona de conforto, total. Aqui a vaca é sagrada, sinto falta de comer carne, sou brasileira. Risos. Já o porco é impuro. Então, tento buscar alternativas, nada fácil. A comunicação é fundamental em qualquer relação, mas deparo com um povo que sabe e fala muitos idiomas, tem mais de 24 por território. Estou aprendendo o inglês e o Hindu”, relata. 

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De acordo com a ex- Garota Base Comunitária de Segurança- Santa Cruz (BCS- Santa Cruz) ela tem contado com a internet para matar a saudade da família. No meio do ano a modelo enfrentou um episódio atribulado que a deixou desolada: “Acompanhava como de costume as noticias do NORDESTEeuSOU , quando fui surpreendida com a informação que  a casa da minha família  havia pegado fogo. Fiquei péssima. Estava do outro lado do mundo. Sensação de impotência. Bateu o desespero. Só chorava. O fogo só foi contido com ajuda dos populares que se solidarizaram com a situação. Graças ao NES e aos amigos que fui me atualizando acerca do ocorrido e  pude manter o equilíbrio. Porém, busco ter foco, só assim se vence na vida. As redes sociais trazem aquele afago no coração. Quando aperta a saudade a chamada de vídeo resolve”, diz sobre a ausência sobre os obstáculos enfrentados longe do seio familiar. 

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Segundo a jovem, viver na Ìndia é conviver diariamente com preconceitos, sobretudo, por ser uma mulher e brasileira. “As mulheres se vestem cobertas dos pés a cabeça, a figura do homem tem mais prestígio e respeito do que nós mulheres em qualquer lugar que chegamos. O machismo é latente. Está sendo um processo desafiador essa nova conjuntura. Eu, era apontada nas ruas, debochavam, não podia usar o cabelo black armado. Sofri preconceito. Eles  não consideram normal meu cabelo, nas ruas abordam para foto o tempo todo, comentam entre si, desdenham. Parece uma atração de circo. Nos primeiros meses eu não saía de cabelo aberto, as mulheres tinham cabelos enormes, os homens Punjabi também não cortam os cabelos”, descreve.  

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No Brasil a modelo era considerada uma das embaixadoras dos cabelos black na internet, suas redes sociais eram destaque por empoderar jovens no processo de transição e cuidados com as madeixas cacheadas. Hoje, é confrontada  pela ausência de cosméticos para as mulheres negras. “Não existem produtos, nem profissionais na área. Um perrengue na hora dos cuidados, principalmente nas produções do trabalho. Mas não faltam os olhares de repúdio ao meu cabelo. As mulheres têm cabelos extremamente lisos, outra estrutura capilar”, pontua. 

Amorim tem uma rotina flexível de trabalho diferente das Leis Trabalhistas Brasileira, dependendo da função e do dia, em torno ou não de 9 horas. Atualmente ela desenvolve as funções de e-commerce, catálogo e TV. Seu cotidiano tem sido acompanhado assiduamente  pelos seus milhares de seguidores nas redes sociais. “As pessoas acham que é riqueza, mas não. É uma oportunidade de crescimento profissional e pessoal. Valorizar sempre que vocês são, sobretudo, suas origens. Tenho corrido em busca de realizar meus objetivos e conquistar meus sonhos”, fala.  

Embora a Índia passe por rígido isolamento social, a modelo tem aproveitado a flexibilização no território a fim circular para registros, passear e conhecer. “Ficamos nove meses fechados por causa do covid-19, mas as coisas estão voltando ao novo normal. Aqui as pessoas respeitam as leis, levam a sério. Conheço Templos, Museus, Tumbas, e uma das sete maravilhas do mundo. Já arrisco até dançar as dancinhas daqui. Risos. Grande parte da população é da religião Hindu. Debrucei-me nos estudos, na cultura… Estou totalmente conectada com a espiritualidade, eu amo a experiência que estou perpassando”, finaliza.

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Luis Lago
Amante da Literatura, apaixonado pelas Letras. Discente de Letras Vernáculas e Língua Inglesa, poeta, escritor , blogueiro, professor e Repórter do site NES.