A redução na frota de ônibus no Complexo do Nordeste de Amaralina é evidente, mas quem mais tem sofrido com isso é o bairro da Santa Cruz. Os moradores reclamam da retirada de linhas e da falta de reposição adequada para garantir a integração.
“Coloquem um circular para rodar sempre aqui, nem que seja só para levar ao Parque e voltar para a Santa Cruz,” sugere Claudionor Vieira, expressando a necessidade urgente de soluções para a mobilidade local.
As sugestões dos moradores são diversas. Alguns pedem a implementação de microônibus em quantidade suficiente para atender a demanda. Outros acreditam que uma linha que desça a Santa Cruz, passe pelo Itaigara, avance pela Manoel Dias, suba o Nordeste, passe pelo Rio Vermelho, retorne pela rua do Canal, entre e saia do Vale das Pedrinhas, retornando para a Santa Cruz, seria ideal. Também há pedidos para linhas com destino à Barra e Ondina. No entanto, o consenso é claro: falta ônibus e, principalmente, falta escuta por parte dos governantes, especialmente dos vereadores eleitos, que deveriam intermediar junto à Secretaria de Mobilidade de Salvador.
Em tempos passados, a Santa Cruz era bem servida por diversas linhas de ônibus:
- 0710 Barroquinha (via Brotas) X Santa Cruz
- 0711 Campo Grande R2 X Santa Cruz
- 0712 Barroquinha (via Vasco) X Santa Cruz
- 0713 Calçada-Bonfim X Santa Cruz
- 0714 Campo Grande R1 X Santa Cruz
- 0715 Lapa X Santa Cruz
Os mais velhos ainda lembram das antigas “topiques” que rodavam pelo bairro inteiro. Atualmente, restam apenas duas linhas:
- 0713 Ribeira X Santa Cruz
- 0715 Lapa X Santa Cruz
E mesmo essas linhas somem em horários de pico. No ponto de entrada do Vale das Pedrinhas, um ponto comum onde ambas as linhas passam, há relatos de espera entre 40 a 60 minutos. “Muitos desistem de esperar e acabam subindo a pé, quando é possível,” relata Neide Brito.
O bairro de Santa Cruz, em Salvador, faz parte da 13ª Zona Eleitoral da cidade, com aproximadamente 16.166 eleitores registrados. Ironicamente, essas pessoas parecem ser ignoradas pelos governantes quando se trata de terem suas necessidades ouvidas.
Em uma rápida pesquisa entre os moradores, foi possível identificar o anseio geral. Muitos entendem a necessidade da integração, mas questionam: “Como pode haver integração se não há ônibus para integrar? Preciso andar até o Parque da Cidade para chegar mais rápido ao trabalho, são 10 minutos de caminhada todos os dias até o portão de acesso ao bairro e mais 10 minutos para chegar à saída principal para o Itaigara”, retrata Mara Mendes.
Há também grande preocupação com a chegada do BRT até a Lapa, pois temem que isso leve ao fim da linha 0715, já que os trajetos são praticamente os mesmos.
Talvez a sugestão de um circular constante, como mencionada no início da matéria, possa resolver grande parte dos problemas enfrentados pelos moradores locais. O que não pode acontecer é deixar os moradores desamparados e sem voz. Afinal, só quem sente a dor sabe realmente o que é preciso para aliviá-la.




