O domingo (11) foi marcado por festa, fé e tradição na praia de Amaralina. A 48ª edição da Festa dos Pescadores reuniu milhares de pessoas na Praça José Amaral, em uma programação que celebrou a união entre o sagrado e o profano.
O cortejo com os presentes partiu do Largo da Olaria, acompanhado por adeptos e simpatizantes das religiões de matriz africana. Já na praia, a realização do xirê, seguida da entrega dos balaios à Rainha do Mar, emocionou o público e reforçou a força simbólica e cultural da celebração. Encerrando a festa em grande estilo, a apresentação da banda QG do Pagode colocou todo mundo para dançar.
Para Rodrigo Coelho, diretor jurídico do Nordesteusou e um dos apoiadores do evento, a Festa dos Pescadores vai além do caráter festivo. “A Festa dos Pescadores é um patrimônio cultural e religioso de Amaralina. Mais do que uma celebração, ela representa resistência, fé e identidade do nosso povo. Ver a comunidade reunida, mantendo viva essa tradição há quase cinco décadas, é motivo de muito orgulho para todos nós que fazemos parte dessa história”, afirmou.
Responsável pela organização do evento, o pescador e presidente da Colônia de Pesca Z1, Rogério Ferreira, destacou o significado da celebração para a categoria. “Essa tradição é muito importante. Essa festa veio do Rio Vermelho e, ao longo do tempo, passou por momentos difíceis. É um momento de agradecimento. Primeiro a Deus e depois à Rainha do Mar. O mar é minha casa. Eu vivo mais no mar do que em terra. Foi aqui que criei minhas filhas e de onde sempre tirei o sustento da minha família. Esse lugar é tudo para nós, pescadores. É preciso manter essa reverência para que o peixe continue vindo”, disse.
Morador do bairro e representante do povo de santo do Nordeste de Amaralina, Alex de Omolu, de 58 anos, também ressaltou a importância da festa. “Sempre participei dessa celebração. É um momento de alegria, nunca teve violência, é tudo tranquilo, tudo em paz, do jeito que tem que ser. Assim como acontece na Festa de Iemanjá, no Rio Vermelho, existem os lados sagrado e profano. Primeiro vem a oferenda, depois as barracas, a cervejinha, a água. Primeiro a obrigação, depois a devoção. Gosto de ver os barcos, o movimento na praia…”, contou.
A celebração também encantou quem participou pela primeira vez. A documentarista portuguesa Francisca Siza destacou a força simbólica e humana do evento.
“Foi uma experiência incrível conhecer essa manifestação relacionada a Iemanjá. Foi muito especial conviver com essas pessoas e entender o significado dessa cerimônia no dia a dia delas. Pude perceber a importância do mar para os pescadores, além da beleza folclórica da festa. Vi a dedicação e o amor de todos que se empenharam na preparação. É uma cerimônia muito real, com gente muito real. Dar visibilidade a essa ancestralidade, construída a partir da memória de gerações, é fundamental para que essa história não se perca”, completou.
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