Uma obra da Prefeitura de Salvador, iniciada em 2024, durante o período das eleições municipais, tornou-se alvo de polêmica na Rua Visconde de Itaboraí, no bairro de Amaralina. O projeto previa a construção de quiosques comerciais e a requalificação completa do espaço público, mas acabou sendo abandonado, sem prazo para conclusão ou esclarecimentos por parte do poder público.
Os quiosques, erguidos há mais de dois anos e meio, que poderiam estar impulsionando o comércio local, antes bastante movimentado , passaram a servir de abrigo para uma família em situação de rua. Segundo um morador da região, que preferiu não se identificar, a intervenção estaria ligada a um assessor político associado ao ex-vereador Demétrio Oliveira.
“A ideia era revitalizar a praça, que antigamente tinha grande circulação de pessoas, com duas barracas (de revistas, lanches e bebidas) além de um ponto de venda de acarajé. No entanto, a proposta acabou naufragando diante do descaso da gestão do prefeito Bruno Reis”, afirmou a fonte.
Além do abandono da obra, moradores relatam problemas antigos que seguem sem solução. João Francisco, de 62 anos, destaca a situação de um túnel de passagem construído há cerca de duas décadas, que se transformou em ponto de acúmulo de lixo e abrigo para usuários de drogas.
“Quando retiraram a antiga barraca, que estava fechada há muito tempo, e anunciaram o início da reforma, fiquei esperançoso. Soube, inclusive, no ponto de acarajé próximo, que havia um abaixo-assinado para o fechamento da passagem, o que seria feito durante a obra da praça e do ponto de ônibus. Até hoje, nada foi feito”, relatou.
Segundo o morador, a manutenção do túnel contribui para a sensação de insegurança na área. “Além de não terem fechado a passagem, que só gera medo, tráfico, presença de usuários de drogas, assaltos e muito lixo — com ratos e baratas —, hoje os quiosques da praça estão sendo usados como moradia por pessoas em situação de rua. É muito triste e decepcionante”, completou.




