Foi arrepio do começo ao fim. A passagem do Ilê Aiyê pelo Circuito Mestre Bimba, nesta quinta-feira de Carnaval, fez os corações dos foliões baterem no ritmo dos tambores. O mais tradicional bloco afro do Carnaval de Salvador arrastou uma verdadeira multidão que, mesmo sob chuva, acompanhou os sucessos antigos e as novas canções do grupo, além do inconfundível balé afro, que deu um espetáculo à parte.
Cria do Nordeste de Amaralina, o vocalista da Band’Aiyê, Valter Ouro, de 25 anos, falou sobre a emoção de cantar onde nasceu.
“Eu sou cria do Nordeste de Amaralina. Aqui é um verdadeiro celeiro musical, de onde saíram grandes artistas. O Ilê se perpetua nos bairros de Salvador de uma forma que todos conhecem o Mais Belo dos Belos — da criança ao adulto. Hoje, como cria do bairro, estar aqui desfilando na minha própria comunidade é uma honra mais que especial. Sempre tive orgulho de dizer que sou do Nordeste, em qualquer lugar que eu estivesse. E hoje eu reafirmo: o Nordeste é barril! É aqui que acontece o melhor carnaval de bairro.”
Entre o público, a emoção também tomou conta de quem vive a força do bloco como transformação pessoal. A moradora Stephanie Ingrid, 23 anos, terceiro lugar no concurso Deusa do Ébano 2026, destacou o significado da apresentação para a comunidade.
“Eu achei mágico. Pela primeira vez o bloco veio aqui pro bairro. Fiquei muito feliz, curti muito e me emocionei demais. Pra mim isso foi muito importante, porque pra conhecer o bloco eu precisei sair do meu bairro. E ontem, minha prima de 10 anos teve a oportunidade de viver isso aqui, na nossa casa. Eu nunca deixo de falar o quanto o Ilê Aiyê mudou a minha vida. E ontem, muitas crianças que só ouviam falar do Ilê através de mim puderam ter esse contato de perto, sentir essa representatividade, essa força. Nós somos uma comunidade de resistência, e o Ilê fala exatamente sobre isso. Trazer o Ilê pra cá, principalmente nesse ano em que tentaram desvalorizar e enfraquecer a nossa cultura, é resistência. É mostrar que a gente tem voz. E mais do que isso: a gente tem força.”




