Na Bahia, a Sexta-feira Santa não tem um único cardápio, ela tem identidade. E essa diferença aparece forte entre Salvador, o Recôncavo e o interior do estado.
No Nordeste de Amaralina, por exemplo, é comum ver as casas cheias de cheiro de dendê, com pratos como caruru, vatapá, feijão fradinho, arroz e peixe dividindo espaço na mesa. É tradição, mas também é resistência cultural.
Já em cidades do interior, como Barreiras e Vitória da Conquista, o costume costuma ser mais simples e direto: peixe, arroz, feijão e salada. Isso tem explicação.
História que vira comida
De acordo com estudos sobre a formação da Bahia, Salvador e o Recôncavo foram os principais pontos de chegada de africanos escravizados durante o período colonial. Isso fez com que a cultura afro-brasileira se tornasse muito mais presente e contínua nessas regiões.
Já o interior do estado teve uma formação diferente, mais ligada à pecuária, à ocupação territorial e a influências europeias, o que refletiu também na forma de viver a religião e, claro, na comida.
Ou seja, enquanto em Salvador a Sexta-feira Santa ganhou sabores do dendê e das tradições de matriz africana, em outras regiões ela seguiu mais próxima dos costumes católicos europeus, que priorizam o consumo de peixe e evitam carne vermelha.
Mais que comida, é cultura
No Nordeste de Amaralina, a mesa da Sexta-feira Santa não é só refeição, é encontro, é memória e é identidade. É aquele momento em que a família se reúne, o cheiro toma conta da rua e cada prato conta uma história.
Seja com caruru e vatapá ou com peixe e pirão, o importante é que, em cada canto da Bahia, a tradição continua viva, do jeito de cada comunidade.




