É tradição. E tradição que pulsa forte no coração do Complexo Nordeste de Amaralina.
Na Sexta-feira Santa, as ruas voltam a ganhar cor, riso e movimento com o já conhecido, e esperado, Baba de Saia, também chamado por muitos de Baba do Vinho. O nome pode até variar de uma rua para outra, mas o espírito é o mesmo. Encontro, pertencimento e alegria coletiva.
Em 2026, a cena se repete e se renova. Em cada canto do bairro, do Nordeste de Amaralina ao Vale das Pedrinhas, passando pela Chapada do Rio Vermelho e pela Santa Cruz, grupos se organizam espontaneamente. Homens, jovens e adultos vestem saias improvisadas, muitas vezes emprestadas ou adaptadas, e entram em campo. Do outro lado, mulheres também participam, vestidas de forma irreverente, quebrando padrões e reforçando que a brincadeira é para todos.
Mais do que um jogo de futebol, o baba vira um símbolo de resistência cultural.

Vozes da comunidade
Para João Victor Santos, 22 anos, morador do Nordeste de Amaralina, o momento vai além da diversão.
“ Aqui é mais que bola, é encontro. A gente passa o ano todo na correria, e nesse dia todo mundo se reúne, ri, brinca. A saia é só um detalhe, o importante é estar junto.”
Já Luana Ferreira, 19 anos, do Vale das Pedrinhas, destaca o papel da tradição na identidade do bairro.
“ Eu cresci vendo isso. Hoje eu participo e vejo como isso fortalece a gente. É uma cultura nossa, da comunidade. Não pode acabar.”
Na Chapada do Rio Vermelho, quem puxa o baba há anos é o morador Edson Nego Ed, de 38 anos.
“ Aqui ninguém fica de fora. Tem menino, tem adulto, tem mulher, tem todo mundo. O baba é nosso, é raiz. E enquanto tiver gente pra jogar, vai continuar.”
Na Santa Cruz, a irreverência também dá o tom. Fantasias improvisadas, música e muitas risadas transformam a rua em um verdadeiro espaço de celebração popular.
Mais que brincadeira, é identidade

O Baba de Saia segue firme como uma das expressões mais autênticas do Complexo Nordeste de Amaralina. Em tempos cada vez mais digitais, a tradição resiste no corpo a corpo, no olho no olho e no riso compartilhado.
É a comunidade ocupando seu espaço, reafirmando sua cultura e mostrando que alegria também é resistência.
E enquanto houver uma bola, uma saia e gente disposta a brincar, o baba vai continuar, forte, vivo e cada vez mais coletivo.




