Por: Kelly Bouéres
Falar sobre a invisibilidade feminina no jornalismo é ampliar o olhar e entender que não basta estar presente, é preciso ser reconhecida, ouvida e legitimada. Porque, enquanto a presença não vier acompanhada de valorização, a desigualdade continua existindo mesmo nos espaços que se propõem a ser diferentes.
No jornalismo em geral, a desigualdade aparece de forma sutil e constante: menos assinaturas em posições de destaque, menor visibilidade pública, menos reconhecimento como referência.
O LAES, nesse contexto, surge como um contraponto importante. Ao construir um espaço equilibrado, justo e representativo, mostra que é possível romper com esse padrão e pensar o jornalismo de forma justa e representativa.
Muitas vezes, mulheres produzem tanto quanto, ou mais, mas não ocupam o mesmo lugar de projeção.
É uma lógica que se repete ao longo do tempo e atravessa diferentes formatos de comunicação.
Mais do que apontar um problema, esse debate também abre espaço para mudança. Questionar quem aparece, quem assina e quem é reconhecida ajuda a reorganizar essas estruturas, ainda que de forma gradual, e é o primeiro passo para transformá-las, seja dentro das grandes redações ou nas iniciativas comunitárias.
No fim, quanto mais diversas forem as vozes que ocupam esse espaço e quanto mais elas forem valorizadas, mais completo, sensível e fiel à realidade será o próprio jornalismo.




