[Coluna NES] Vida louca, vida

Vida louca vida, vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve”

Por Betho Wilson

Esse é o trecho inicial de uma música que fez muito sucesso nas rádios e bailes do Brasil entre as décadas de 80 e 90, o artista? Cazuza, referência do Brock, rock and roll brasileiro que era febre total nas rodas da juventude.

Cazuza, que teve filme retratando sua vida genial e louca, sem limites, deixou uma vasta e clássica obra, um acervo fino ao alcance de todos, por outro lado, ele também foi marcado com um episódio que mudaria completamente a sua vida, contraiu o mais temido vírus da época que assombrava e assombra o mundo com sua violenta ação no corpo de quem o porta, o HIV, causador da AIDS. Não preciso dizer que as consequências que surgiram a partir desse fato foram devastadoras na vida desse grande artista e sua família.

Eu, aqui na vizinhança, escuto muitos dos meus conhecidos se auto declarando vida louca, apresentando um modelo de vida quase sempre com o mesmo roteiro onde o gran finale trágico é inevitável. Eu, que nunca fui dos mais ousados e destemidos da turma na juventude, chegava a sentir inveja daqueles que para mim, pareciam não ter medo de nada. Ledo engano.

A cerca de 15 dias decidi pedalar, perdi o gás e ânimo para praticar corrida então encontrei na Bike uma forma divertida e confortável ao meu corpo estragado (joelho e tornozelo já eram) de me manter em movimento, estou amando. Durante essas pedaladas diárias penso em um monte de coisas e, na última delas, tive uma recordação da infância e juventude e entrei em choque quando numa conta rápida me peguei somando doze amigos próximos, do meu convívio que morreram ou foram assassinados devido a tal vida louca. Eu que pedalava ali naquele momento beirando e apreciando estupefato o belo mar de Amaralina fiquei perplexo e paralisado quando me questionei do fato de eu ter normalizado isso. Como assim? Doze vidas jovens? Doze! Enquanto um adolescente passava do meu lado com um som alto tocando uma música com uma batida dançante onde a letra que era cantada dizia assim: “comigo não tem futuro”
Então acabei percebendo o óbvio, a juventude está à mercê de toda categoria de exemplo e nesse momento o que se consome em alta é aquilo que não agrega educação financeira, convívio social equilibrado, letramento racial ou social, confundindo auto estima com estética e desprezando o auto conhecimento, afinal de contas essa é a lei do mundão, dizia a letra de uma segunda música escutada pelo mesmo garoto que parou para beber uma água de coco.

Vida louca X vida sã! Temos apenas esses dois viés? Essa dualidade comportamental resume as oportunidades de usufruir do dom maior que temos que é a vida? E a vida o que é diga lá meu irmão? Luiz Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha, cantava esse questionamento numa ânsia de encontrar a tal resposta que parece guardada numa caixa de pandora, ele que também viveu pouco apos partir para o plano celestial numa morte causada em um trágico acidente de carro.
Uma coisa é certa, viver é mais que respirar momentos e tragar sensações. Viver é SER e assim reciclar a alma diariamente no intuito de que nosso corpo expresse nossa essência afinal de contas o exterior reflete o interior.

No HQ da Marvel que narra o início da descoberta dos poderes do jovem Peter Park, em um dos quadrinhos onde acontece o diálogo dele com o seu tio Ben é dita a frase que me marcou profundamente no tocante a viver: “Um grande poder traz grande responsabilidade”
Qual poder maior do que deter em suas mãos a vida? Embora sejamos como grãos de areia diante da vasta imensidão do universo, ainda assim temos nossas vidas, tesouro maior e imensurável, portanto cuidemos com sensatez de nossa existência, somos nossa própria vida e se ela for interrompida trágica e precocemente findar-se-a nossa consciência existencial. Equilibrem-se.


Um grande abraço!

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