Salvador resiste e insiste em existir

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Falar de Salvador no mês do seu aniversário é quase sempre falar de beleza, mas Salvador também é feita de contradições e ignorá-las é contar só metade da história.

Falar de Salvador é lembrar do mar que desenha a cidade, do Pelourinho exalando cultura, da música que nasce nas esquinas e atravessa o mundo. É lembrar de uma cidade que pulsa cultura, inventa linguagem, cria moda, dança e resiste todos os dias.

Porém, a mesma Salvador que encanta turistas é a que convive com a violência cotidiana, com o racismo estrutural e com a ausência de políticas públicas em muitos bairros periféricos.

Não dá para falar de aniversário sem falar de quem vive essa cidade todos os dias. De quem pega dois ônibus para trabalhar, de quem transforma a rua em espaço de criação, de quem faz da arte um caminho possível diante da falta de alternativas.

Salvador não é só cenário, é vivência, disputa, sobrevivência e é também potência.

Porque mesmo diante das violências, Salvador continua criando, continua produzindo cultura, formando artistas, movimentando coletivos e fortalecendo redes. É nas periferias, nos terreiros, nos encontros comunitários e nas iniciativas independentes que a cidade se reinventa.

Talvez seja isso que mais define Salvador: a capacidade de ser, ao mesmo tempo, dura e acolhedora, desigual e criativa.

Mais do que comemorar, o aniversário de Salvador também deve ser um momento de cobrança. Cobrar por mais segurança, mais acesso à cultura nas periferias e mais oportunidades para a população que sustenta essa cidade todos os dias. Porque celebrar Salvador também exige responsabilidade com a sua realidade.

Kelly Bouéres
Kelly Bouéres
Estudante de jornalismo e atualmente redatora. Amante da cultura baiana e arte em geral. Atuante no núcleo de jornalismo do Luisanselmoeusou.

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