Uma denúncia grave expõe possíveis irregularidades e descaso com a vida e a dignidade de uma trabalhadora contratada pelo regime REDA, que afirma ter sido demitida enquanto tratava câncer,tendo perdido a assistência médica, a renda e a segurança que deveria receber justamente no momento mais vulnerável de sua vida.
Cristiana Pereira dos Santos, servidora contratada pelo Estado desde 2017, relata ter enfrentado duas batalhas contra o câncer de mama e em ambas, segundo ela, foi abruptamente retirada da folha de pagamento,perdendo o acesso à assistência médica do próprio governo.
“Como é que pode eu estar doente, fazendo tratamento, e ficar sem minha assistência médica e sem meu dinheiro para continuar meu tratamento?”, questiona Cristiana, emocionada.
Cristiana conta que, na primeira vez em que enfrentou o câncer, no seio esquerdo, conseguiu retornar ao trabalho após o tratamento. Nove meses depois, descobriu um novo nódulo na mama direita. Quando informou a empresa e apresentou a documentação médica, esperava receber o afastamento legal. Em vez disso, afirma que foi surpreendida com a demissão.
O que agrava ainda mais a situação é o suposto erro documental fornecido pela própria gestão, que levou o INSS a negar o auxílio-doença.
Segundo ela, o documento afirmava que ela estava “ativa” — informação incompatível com o pedido de benefício.
Resultado: Cristiana passou nove meses sem salário da empresa e sem auxílio do INSS.
“Eles me desempregaram e eu nem sabia. Descobri quando levei o atestado de 180 dias. Disseram que eu estava desempregada desde o mês 5. No mês 4 eu tinha feito a cirurgia. Isso é um absurdo!”, denuncia. “Me tiraram de tudo”: renda, plano de saúde e dignidade.
A trabalhadora afirma que, sem aviso prévio e no meio do tratamento, teve o acesso à assistência médica cancelado — justamente quando mais necessitava de exames, consultas e medicamentos de alto custo. “Como eles dizem que eu fiquei sem levar documento? Eu levei, eu pedi meu afastamento. Como é que me afastam de tudo assim?”, lamenta.
Desorientada e fragilizada, Cristiana buscou apoio jurídico. O advogado confirmou que, por ser REDA, existe a possibilidade legal de desligamento. Mas Cristiana questiona o aspecto humano, moral e social da decisão:
“Mas se eu estou doente, tratando câncer, como podem me abandonar assim?”
O relato escancara um problema recorrente denunciado por trabalhadores do REDA: a fragilidade do vínculo, a insegurança jurídica e a facilidade de desligamento mesmo durante doenças graves.
Cristiana agora luta não apenas contra o câncer, mas por justiça — e por respostas.




