Olha a rifa, qual número você quer? Conheça a profissão que mais cresceu na comunidade nos últimos tempos.

Universo das rifas e sua ascensão no Nordeste de Amaralina.

Atira a primeira pedra, quem aqui nunca fez uma “fezinha” no jogo de azar? Então, sonhar com números, mentalizar data de nascimento, placas de automóveis, números de bichos,  não importa como, mas vale de tudo para arriscar a sorte. A busca por uma vaga de emprego cada dia se torna mais difícil. Resta à população recorrer ao universo dos subempregos. Um deles, que ganhou ascensão na pandemia tem sido o “passar rifa”. Configurado como profissão, como tantas outras que, ainda não possui direitos assegurados. O nicho tem despertado interesse de muitos, principalmente do público órfão de uma renda. 

 Como é o caso do  Yuri Miranda, que há 7 anos trabalha no ramo. O morador da Santa Cruz concedeu um pouco do seu tempo, a fim de  nos reportar sobre o universo das rifas. Logo no início da entrevista, o jovem adverte: “A profissão requer muito treino e jogo de cintura”, ainda de acordo com ele, enquanto, muitos têm o final de semana como descanso, eles entram em campo. 

“Aos sábados me aventuro fazendo valores mais altos,  10 para 700 e 5 para 300, entre outros valores. É um serviço como tantos outros, principalmente nos desafios. Sendo um deles, quando os clientes  desistem da dezena ou não possuem o dinheiro na data.  Requer muito peito e determinação, mas  em contrapartida, existem  os clientes leais, que honram, mesmo com os imprevistos. Outro ponto, que destaco, é o fato de que, nem sempre conseguimos nosso lucro, às vezes nos damos bem, quando o prêmio fica pra casa. Rifa, sinônimo de fé e persistência”, explicou sobre os desafios da função. 

Indagado pela reportagem, sobre o que é preciso para ser um rifero, Yuri pontua: È necessário ter carisma, agilidade e alegria; estratégias  cativantes. De acordo com o jovem seu è lema: “sem fé é impossível agradar a Deus e ao menino da rifa também”.

 Como enfatizam os populares “já é de lei o corre da rifa”, não importa se está chovendo ou fazendo sol, se é noite ou se é dia, sempre teremos as famosas “meninas das rifas” percorrendo os quatros cantos da comunidade fazendo seu “corre”. A empresa, involuntariamente, alcança todo o território. “Look legal, um up na imagem se faz necessário, sorriso no rosto. Vamos à luta, com fé em Deus, ganhar o nosso pão diário”, diz Jeniffer Carvalho. 

A vendedora Cláudia Santos,29 anos,   desempregado desde janeiro, assumiu o  ofício, a fim de tentar o sustento dos dois filhos, sendo eles um de dois e outro de cinco anos; “O comércio se encontra dispensando, então estou ganhando uns trocados até conseguir uma recolocação”, desabafa. 

Nesse universo, observa-se, que eles se reinventam a cada novo dia. Desde serviço de moto, via telefone, e por aí vai…Na pandemia não foi diferente, como os apostadores costumam dizer “para quem tem sorte não existe tempo ruim”, na prática não seria diferente. Com as medidas restritivas e o isolamento social,  eles aderiram às redes sociais. Como bem retrata Paulo Cesar: “Criamos grupo de whatsapp, pois deixa tudo prático e ágil. Reunimos uma galera e postamos as cartelas, quem quiser faz sua escolha e paga através do pix, tudo isso no conforto de casa, além disso, caso seja o vencedor, recebe em casa”, descreve o administrador de grupo de rifas, que  conta com 249 participantes [Opa! Está aí uma pedra boa, para fazer uma “fezinha” (risos].

Não só de valores financeiros são os prêmios, existem de automóveis, eletrônicos, e até mesmo prêmios solidários. Como bem explica a última opção, no caso da Paula Maria que após contenção de gastos no momento pandêmico recorreu à rifa solidária. “A coisa apertou demais, recorri à rifa com panos de pratos ou bolos de potes, coisas que eu mesma faço em casa. Meus amigos assinam no intuito de me ajudar”, comenta a estudante do último  semestre do Curso de  psicologia, que usa do dinheiro para financiar a graduação. 

Outro aspecto, que se observa, é a grande concorrência, da qual percebe-se grandes disputas. Em conversa com Ricardo da Luz, 43 anos e rifeiro desde sua adolescência. Ele conta que mesmo com o número elevado de pessoas, há clientes para todos. “Já acompanho várias gerações. Agora estamos na fase dos jovens aprendizes e estagiários[risos]. Quando comecei, eram apenas pontos fixos nos bares, hoje, os jovens estão na ativa. Muitos querem arriscar a sorte. Vai que seu dia é hoje,  então, correndo atrás, todos conseguem fazer o seu”, refletiu sobre o crescimento do setor, ao longo dos anos. 

Muito se tem falado, acerca do futuro das profissões no Brasil. Muitas serão  extintas. Enquanto outras, principalmente as, que caminham pelas margens  conquistaram  reconhecimentos trabalhistas. Diante do cenário de incertezas que vemos, a única certeza que temos é que o povo brasileiro é sinônimo de criatividade e garra.  Quando se trata de levar o alimento, não seria diferente, a palavra determinação é a máxima. Pesquisas apontam, que o público jovem, em sua grande maioria, está como o protagonista da falta de oportunidades no mercado de trabalho brasileiro. Um perfil crescente, a informalidade, tem sido um prato cheio para eles. A profissão de rifador se tornou um elo, entre tantos outros, neste enfrentamento. Que as políticas públicas e as autoridades sejam eficazes. 

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Amante da Literatura, apaixonado pelas Letras. Discente de Letras Vernáculas e Língua Inglesa, poeta, escritor , blogueiro, professor e Repórter do site NES.