“No feijão, na moqueca, não pode faltar a pimenta da Dekka…”; conheça a história da empreendedora Dekka Pimenteira

“No feijão, na moqueca, não pode faltar a pimenta da Dekka…”, diz o samba composto pelo afamado compositor do Nordeste de Amaralina, Sílvio Almeida. E é do ardor e do sabor da sua “cantada” pimenta, que Jairã Andrade dos Santos, 53 anos, mostra toda sua veia empreendedora. Nascida e criada no Nordeste de Amaralina, mais precisamente na Rua do Norte, “Dekka Pimenteira” ou “Dekka Direitinha”, como é chamada, é figurinha conhecida no Complexo. Seja numa roda de samba, numa mesa de bar ou num batuque de candomblé, seu inconfundível carisma e irreverência são logo notados pelos presentes.

Cozinheira de mão cheia, como se costuma dizer no popular, Jairã já demostrava toda sua habilidade na produção do molho lambão ou do tipo conserva que acompanhavam os pratos comercializados por ela. Filha de mãe Dina de Oyá (“dona Iaiá), famosa rezadeira da região, falecida no ano passado, Dekka acabou descobrindo nesse tradicional ítem da culinária baiana uma forma de incrementar sua renda mensal.

“Eu gosto muito de pimenta e por isso sempre me chamaram de retada, de “pimenteira”. Sempre cozinhei por encomenda. Feijoada, rabada, vaca atolada, mocotó e sarapatel…. Tudo acompanhado por um molho lambão, conserva ou pasta…Ate geleia de pimenta eu sei fazer. Mas, fazia para comer água mesmo. Afinal, na Bahia, qualquer prato que se respeite tem que vir acompanhado de uma pimenta. É tradição”, conta Jairã, que já atuou como vendedora, vigilante, agente de trânsito e há mais dez anos trabalha como assessora parlamentar do deputado estadual, Rosemberg Pinto (PT).

“Foi aí que fiquei sabendo de um curso de gastronomia sobre pimenta. Passei então quinze dias em São Paulo e ganhei um concurso. Isso foi em abril do ano passado. Na volta vim focado em montar um empreendimento nessa área. Meu objetivo é abrir uma “Boutique da Pimenta”, no Pelourinho, e me profissionalizar ainda mais na párea. Tenho feito muitos cursos pela internet.”, acrescenta Dekka que também é proprietária do tradicional bloco de carnaval do circuito Mestre Bimba, As Direitinhas.

Atualmente, a “Pimenteira”, como ela mesmo costuma se denominar, tem sua mercadoria  já espalhada por diversos locais de Salvador até do Brasil.

“Vendo para alguns restaurantes do Pelourinho e outras cidades do país como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul. O segredo é saber fazer mesmo. Muito carinho e muito amor. A minha é cheia de “gueri gueri”. Não posso falar o segredo… Minha pimenta tem sabor e qualidade. Trabalho principalmente com as pimentas Chocolate e Carolina. Mas,  também tenho variedade, sobretudo nas conservas. A mais vendida é a conserva e  batida. Por mês tenho tirado uns R$2 mil de pimenta. Tem também o fiado… O chamado “me dê para provar… “ Sabe como é né? (risos)”

De acordo com a empreendedora, a pimenta dar sabor e qualidade à comida, “a depender da mão da pessoa, da quantidade…”:

“O importante é a dosagem! Teve uma amiga minha com o namorado. Segundo ela, ele comia pimenta. Levei então uma para ele provar. Ela aí disse: “Que nada! Essa pimenta não arde não…”.  Meu filho, com uma gotinha só ela passou mal. Ficou vermnelha, teve dor de barriga, cólica…Ela hoje me pergunta: “Venha cá, Dekka. Você mijou na pimenta foi? Essa pimenta arde de mais!!”.

“No feijão, na moqueca, não pode faltar a pimenta da Dekka…”

Ouça a música “Pimenta da Dekka”, composição de Sílvio Almeida.

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Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU