Minha cara vizinhança, o quinto dia de folia no Circuito Mestre Bimba provou que o fôlego humano é, de fato, um mistério da ciência. Antes de destilar os fatos, preciso abrir alas para uma menção honrosa: Peu Martins. Meus caros, eu gostaria de ter um terço do vigor desse homem. Ele está batendo ponto no Mestre Bimba e no Circuito Dodô com uma energia que faria qualquer Rei Momo pedir aposentadoria por invalidez. Alô, Prefeitura de Salvador! Já podem entregar as chaves da cidade para ele.
Precisamos falar também sobre a onipresença de Bebeto Cerqueira. Dizem as más línguas que se você gritar “Bebeto” em qualquer esquina, ele brota de trás de um poste com um pandeiro na mão. Ele está em todas! Há quem jure que Bebeto possui dez clones espalhados pelo Nordeste de Amaralina. A este passo, ele não vai apenas participar dos blocos, ele vai acabar virando patrimônio tombado do circuito.
O dia começou dedicado aos pequenos, com destaque para VHBê, que levou o conceito de “entrar no personagem” a outro nível. Ele apareceu de Coringa, e não estava só, a banda inteira parecia ter saído diretamente de Gotham City para o Nordeste. Porém, não podemos perdoar a logística dos blocos infantis terminando tarde sob o sol escaldante. Ano que vem, esperamos que aprendam que o limite para a diversão mirim deve ser às 10h. Se nós, adultos e pecadores, já estamos derretendo, imaginem as pobres crianças fantasiadas.
Logo depois, tivemos o Arrastão dos Rebeldes, embora a “rebeldia” tenha ficado só no nome. A energia do público estava mais baixa que o volume do paredão. Talvez tenha sido o calor, ou talvez a rebeldia tenha sido cansaço acumulado. Já o Arrastão do Ruma Ruma, sem paredão, apenas no gogó e nos instrumentos, os “coroas” deram uma aula de animação que deixou muito jovem no chinelo. Quem quiser prova do crime, o registro oficial está em nossas redes.
Bebeto Cerqueira, para a surpresa de absolutamente ninguém, reapareceu em outro bloco. Dizem que ele já passou por uns vinte. Ele leva o lema “não deixe o samba morrer” tão a sério que é capaz de fazer ressuscitação em qualquer folião desanimado.
No quesito injustiças do Carnaval, precisamos falar de Jr Samba. O homem tem vocal, tem presença, mas faltou o principal, o povo atrás do trio. É uma dessas pipocas que mereciam mais valorização. Que nos próximos anos a galera saia do transe e perceba o talento que está passando na frente dos seus olhos.
Ontem também foi o dia das “viúvas” da loira, pois se Carla Perez não veio no domingo, o povo compensou indo em peso atrás de Noelson do Cavaco nas Pagodeiras e de Eduardinho no bloco 100 Miséria. O samba reinou soberano, mas houve espaço para o axé ancestral com o bloco afro Arte Kizumba. E adivinhem quem estava lá? Sim, ele, o homem-legenda, Bebeto Cerqueira. Ele não está apenas cobrindo o Carnaval, ele está drenando a energia vital de Salvador para si.
Para fechar a noite com um toque de “diretamente do Rio”, o funk desceu o morro e parou no L Privilege com FP do Trem Bala. Foi o momento em que o dendê se misturou com o batidão carioca.
Amanhã eu volto. E, pelo andar da carruagem, Bebeto Cerqueira provavelmente chegará antes de mim.
Desejam que eu investigue qual é o segredo da vitamina que Bebeto e Peu Martins estão tomando para manter esse pique?




