O pagodão baiano e a força cultural das comunidades periféricas ganham destaque em uma nova produção audiovisual gravada no Nordeste de Amaralina, em Salvador. O vídeo marca o encontro entre o dançarino, coreógrafo, professor e ator André Oliveira DB, do Rio de Janeiro, e artistas da cena baiana, numa troca potente que une dança, ancestralidade e resistência.
Conhecido por sua atuação no filme “Passinho Foda: O Corre por Trás da Dança”, disponível na Netflix, André Oliveira desembarcou na capital baiana para vivenciar de perto a energia única das quebradas de Salvador. Ao lado dele, participaram da gravação dois grandes nomes da dança local: Gutto Cabral, coreógrafo da banda Afrocidade e morador de Camaçari, e Joy Nigga, dançarino, multiartista e morador do Nordeste de Amaralina.

Enquanto Gutto representa com maestria o talento e a estética do pagodão e da dança afro, é Joy Nigga quem carrega no corpo e na alma a essência do próprio bairro. Nascido e criado no Nordeste de Amaralina, Joy é um dos nomes mais expressivos da nova geração da dança de rua em Salvador. Como multiartista, ele transita entre linguagens, transformando sua vivência em movimento, arte e expressão. Utiliza a dança como ferramenta de afirmação cultural, transformação social e resistência.
Com seus passos cheios de identidade, Joy representa as vozes silenciadas da periferia, valorizando a cultura que nasce nas ruas e inspira o coletivo. Mais do que ensinar técnica, ele compartilha história, vivência e pertencimento. O pagodão, em seu corpo, deixa de ser apenas ritmo e se torna manifestação viva de um povo.
A trilha sonora escolhida para o vídeo é “Revoada Bob na Voz 5.0”, do cantor Bob na Voz, um dos destaques da nova geração do pagodão baiano, que com seu som vibrante e envolvente tem conquistado fãs por todo o estado.
A montagem do vídeo foi realizada por Gabriel César, editor de cinema que também assinou o documentário “Passinho Foda”, da Red Bull. Gabriel foi responsável por costurar imagens e emoções, ao lado do editor Gustavo Vasconcelos, transformando o projeto em um filme que pulsa com a energia das ruas e a força de quem dança para sobreviver e afirmar sua existência.
O resultado é uma obra que atravessa geografias, conecta Salvador ao Rio e mostra, com orgulho, o protagonismo do Nordeste de Amaralina na construção e valorização da cultura baiana.