Auxiliar de enfermagem e moradora do Nordeste de Amaralina desabafa sobre pandemia: “As pessoas continuam sem dar à devida atenção ao problema”

Trabalhadora da linha de frente de combate à covid-19, a moradora do Vale das Pedrinhas , Fabiana Souza Lima, 22 anos, vem desde o inicio da pandemia, em março do ano passado, sendo submetida a uma exaustiva jornada. O cansaço se mostra presente no semblante desses profissionais que, assim como Fabiana, têm literalmente dado à vida durante a grave crise sanitária que atingiu o planeta.

Em relato ao Nordesteusou, a auxiliar de enfermagem, que vem enfrentando jornadas de trabalho que variam de 12h até 24h de trabalho,  falou sobre a experiência de quem vive diariamente o drama e os efeitos dilacerantes da pandemia.

“Não está sendo fácil para todos nós da área de saúde, perdemos inúmeros colegas de profissão e muitos perderam seus familiares. As pessoas continuam sem dar à devida atenção ao problema. Por mais que as pessoas estejam sendo alertadas elas ainda assim não se importam e o número de pacientes nos leitos de hospitais estão maiores. No meu setor de trabalho estamos com 100% de ocupação de covid-19 e é desesperador, estamos cansados de presenciar pessoas morrendo sem respirar. Colegas da profissão, em alguns lugares, não estão tendo tempo nem para almoçar, nem um minuto para descansar… Estão sobrecarregados porque não podem parar e quanto mais corremos mais os leitos aumentam. É desesperador.”, conta a jovem.

“Recentemente perdi um amigo para a covid, um amigo que estava ali no hospital fazendo o seu trabalho e que lutou por quase um mês no leito de uma UTI. Presenciar ele lá todos os dias foi muito doloroso. Eu continuo agradecendo a Jeová por minha família estar bem, por está cumprindo certinho os protocolos de isolamento e distanciamento social. Desde que testei positivo eu venho ajudando eles a não baixar a guarda, a minha mãe, avó e meu marido não testaram positivo quase 1 ano depois.  Além de que as outras doenças não deixaram de existir por conta da covid, ainda existe outros pacientes que precisam dos nossos cuidados e atenção e com os leitos 100% ocupados está cada vez mais difícil, cansativo e doloroso”, continuou Fabiana.

Susto –  Em abril do ano passado, o susto. Fabiana testou positivo para o novo Coronavírus. Em entrevista o NES a jovem relatou os dias de medo e preocupação vivenciado por ela durante o tratamento.   

“Inicialmente comecei a apresentar os sintomas no dia 22/04 onde precisei ser atendida por uma instituição de saúde, com febre de 39.0, muita dor de cabeça e no corpo, perdi o olfato e paladar, sentia muito calafrios e os olhos ardiam muito. Do segundo dia em diante esses sintomas mantiveram e surgiram a garganta inflamada, tosse seca e falta de ar. Durante esses 14 dias permaneci dentro do quarto isolada, sem nenhum tipo de contato se não via Whats App”, relatou Fabiana.

“O pânico foi muito grande e como enfrento também a depressão ter testado positivo depois de ver um colega tão próximo morrer dessa forma foi pior ainda. Nem os remédios para dormir me faziam fechar os olhos. Em pensar em morrer solitária, sem ninguém ao meu lado, em não poder me despedir…”, continuou a auxiliar de enfermagem.

“Infelizmente é uma consequência drástica que nós como profissionais da saúde estamos suscetíveis por sermos linha de frente. Em muitos casos os profissionais não tem os devidos equipamentos de proteção adequado e acabam expondo suas vidas pra combater os danos desse vírus, ou não recebem os devidos treinamento para isso”, finalizou.

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Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU