É #FAKE que máscaras podem causar danos neurológicos irreversíveis

O Globo

Circula pelas redes sociais uma mensagem que diz que o uso de máscaras pode levar à privação de oxigenação do cérebro e, consequentemente, causar danos neurológicos irreversíveis. É #FAKE.

A mensagem é atribuída a uma neurologista alemã. O texto diz que “a nova respiração do ar exalado irá, sem dúvida, criar deficiência de oxigênio e uma inundação de dióxido de carbono” e que “o cérebro humano é muito sensível à privação do oxigênio”. Várias agências de checagem, como a Reuters e a AFP, já desmentiram o vídeo da médica.

Segundo a infectologista e professora da Universidade de Campinas (Unicamp) Raquel Stucchi, as afirmações são falsas porque o uso de máscara não impede que haja troca de gases. Assim, tanto o dióxido de carbono consegue ser liberado como o oxigênio consegue ser inspirado. Não há, portanto, privação de oxigenação. “O ar que a gente expira passa pela máscara. A gente não está respirando em um saco plástico, por exemplo. As máscaras indicadas para conter a Covid-19 possuem material respirável”, explica.

De acordo com Daniel Martins-de-Souza, professor e neurocientista da Unicamp, não existem estudos científicos que apontem danos causados pelo uso prolongado da proteção. “Estudos realizados durante a pandemia de Covid-19 viram que não existe alteração significativa da absorção de oxigênio nem tampouco qualquer problema causado pela presença de mais CO2 entre a boca e o nariz. Realmente existe uma concentração maior de dióxido de carbono no espaço da máscara do que no ar. Mas isso não quer dizer que é uma quantidade que vai causar problemas”, afirma.

“As moléculas de CO2 e de oxigênio são entes minúsculos, portanto o ar não fica preso e não encontra dificuldade de passar pela máscara. O vírus é uma partícula infinitamente maior do que uma molécula de oxigênio ou dióxido de carbono. Assim, ela é capaz de proteger”, diz Martins.

O que pode acontecer, segundo o especialista, é que as pessoas tenham a sensação de não respirar direito enquanto usam a máscara devido à falta de costume e, por isso, sintam incômodo ao usá-las inicialmente. Depois de algum tempo, corpo se acostuma, diz.

O vídeo em que a médica aparece fazendo as falsas afirmações sobre o uso de máscara foi removido das redes sociais. No YouTube, links compartilhados nas redes sociais mostram que o vídeo foi removido “por violar os termos de serviço” da plataforma. Mas há cópias do vídeo no Facebook, traduzidos para outros idiomas e postados por contas de terceiros, ainda disponíveis.

O

 uso de máscaras ainda é considerado um dos principais métodos para evitar o contágio da Covid-19 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a organização, elas servem tanto para a proteção de pessoas saudáveis quanto para prevenir a transmissão por pessoas contaminadas.

O Ministério da Saúde no Brasil também recomenda que todas as pessoas se protejam com máscaras. “A utilização impede a disseminação de gotículas expelidas do nariz ou da boca do usuário no ambiente, garantindo uma barreira física que vem auxiliando na mudança de comportamento da população e na diminuição de casos”, diz o órgão.

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