[EDITORIAL] Por mais livros, oportunidades… e menos metralhadoras e fuzis.

Os fatos não me deixam mentir: a política de segurança da Bahia, e em especial sua Polícia Militar, é o capitão do mato dos tempos modernos. A última ação da PM no Complexo Nordeste de Amaralina, onde sob o pretexto de combater o crime organizado implantaram o aparelho repressor do Estado dentro da localidade, constrangendo pais e mães de família, atesta de forma definitiva tal afirmação.

Se a figura do capitão do mato são ex-escravos libertos que resgatavam e castigavam os escravizados em fuga, o policial militar, são em sua grande maioria homens e mulheres de origem humilde, e que a serviço do Estado promovem a repressão, sobretudo, dentro da periferia.

A cenas vistas desde as primeiras horas desta quarta-feira (2) na região do Nordeste de Amaralina reforça a ideia do despreparo e do caráter fascista da polícia baiana. Em menos de 48 horas cinco suspeitos foram executados. A desculpa é sempre a mesma: “após uma intensa troca de tiros….”. O único braço do Estado dentro dos bairros periféricos é a polícia, sendo o “encosta vagabundo” a frase mais usada pelos “agentes da lei” dentro dessas localidades. Na favela, onde a população é essencialmente negra, a ordem é primeiro atirar e depois perguntar. Afinal, “a carne mais barata do mercado é a carne negra”, diz a canção.

Nessa guerra não existe inocentes e sobram culpados, sendo o jovem, preto e pobre, a principal vítima. São vitimados pelo Estado duas vezes: quando lhes é negada a oportunidade, através da criação de políticas públicas, e quando tem o revólver apontado para sua cabeça, seja por envolvimento no tráfico ou por uma bala perdida.

Em abril desse ano, Marcos Vinícius Cidreira, 21 anos, saiu de casa pela manhã para comprar pão, quando foi atingido por uma bala, que teria sido disparada por um policial militar em operação. Ferido, ele foi levado para o Hospital Geral do Estado e morreu na unidade de saúde. O rapaz, que trabalhava como entregador de lanches e também era músico, deixou uma esposa e um filho com poucos meses de nascido. Não muito distante, mais precisamente no dia 15 de junho, Micael, 11 anos, teve sua vida ceifada durante uma operação policial na região conhecida como “Rua do Santo André”, que fica localizada na divisa entre Santa Cruz e Vale das Pedrinhas.

Quantos “Marcos”, “Micaeis” e “Joeis” precisarão ter seus destinos abafados pelo estrondo de escopetas? Quantas famílias mais terão seus seios dilacerados pelas mãos do Estado? É preciso cuidar da nossa juventude. É preciso contemplar esses meninos e meninas da periferia de Salvador, em especial do Nordeste de Amaralina. Não é na base da bala que as distorções sociais serão resolvidas. O extermínio da juventude negra e periférica apenas reforça a ideia de uma política de segurança fascista de um estado totalitário e repressor.
Por mais livros, oportunidades… e menos metralhadores e fuzis.

COMPARTILHAR
Redação NES
NORDESTeuSOU.com.br, o Portal do Nordeste de Amaralina que tem o Objetivo de desfazer o mito de que a comunidade do Nordeste de Amaralina é dominada pelo crime, divulgando ações de esporte, lazer e entretenimento dentro da comunidade bem como notícias externas que direta ou indiretamente.