O complexo Nordeste de Amaralina é repleto de histórias de superação. Guerreiros e guerreiras que literalmente fazem a diferença. Se a vida não está fácil “lá fora”, por aqui a coisa é ainda mais difícil. Não é fácil conviver com os estigmas e o esquecimento ao qual são submetidos os moradores dos chamados bairros periféricos. Na semana do dia das mães o NORDESTeuSOU quis ouvir histórias que, de fato, nos der uma dimensão de como é ser mãe e viver no Nordeste de Amaralina. Cada história com as suas particularidades, às suas dores, às suas lutas, e às suas alegrias pelo simples fato de ser mãe. Neste capítulo vamos conhecer a história da Super mãe, assim mesmo, com “S” maiúsculo, Sônia Rodrigues.
A vida de Sônia Rodrigues, 42 anos, tem todos os elementos para qualquer filme que narra história de fé e superação. É nascida e criada no bairro da Santa Cruz, onde morava com os pais. “Cresci vendo meus pais passando muitas necessidades”, lembra. Ainda pequena, Sônia testemunhara a mãe ser agredida pelo seu pai. Ainda na infância, mais um trauma: foi abusada sexualmente por um familiar. Após a separação dos pais, Sônia passou a viver com a mãe. Com quinze anos, ainda adolescente, Sônia foi trabalhar em “casa de família”. O trabalho não impediu ela de estudar, que mais tarde se formaria em Nutrição.

Aos 17 anos engravidou do primeiro dos cinco filhos. Após algumas complicações durante a gravidez, Robson Conceição Marques Júnior, o primogênito e hoje com 24 anos, nasceu com anemia falciforme. Três anos se passaram e Sônia novamente engravidou. Veio ao mundo Rafael Rodrigues Marques, atualmente com 21 anos. Já madura apesar dos 25 anos, Sônia encarou sua terceira gestação. Outro menino: Gabriel Rodrigues Ferreira. “Quando tive meus filhos passei muita dificuldade. Dia de ter dois pães, dar um para cada e ficar sem… Dia de ter o leite e não ter o açúcar. Na hora que mais precisei meu esposo abandonou a mim e a meus filhos”, conta.

Passados treze anos da primeira gestação, Sônia novamente engravidou. Mal sabia ela, que a partir desse momento, o seu instinto maternal seria definitivamente testado. Débora Rodrigues Ferreira, atualmente com 12 anos, já nasceu com algumas complicações. Aos cinco meses de nascida deu entrada no Ernesto Simões com suspeita de otite aguda e com falência pulmonar. Foi submetida a uma cirurgia. “Débora é deficiente auditiva devido a um câncer no cérebro. Já passou por oito procedimentos cirúrgicos. Ela nasceu com esse câncer, mas somente no final do ano passado ficamos sabendo. Quando o médico descobriu já estava em estado terminal, mas Deus é tão bom que quando o médico foi fazer a última cirurgia o tumor havia sumido. Ao sair da sala, o médico atestou que não houve erro no diagnóstico. De fato, o tumor sumiu a ponto de deixar um buraco no local”. E foi em meio ao vai e vem de médico em médico e hospital em hospital, em busca de tratamento para a filha, que Sônia engravidou pela quinta vez. Nasceu então, o caçula, Isaías.
Na escola o comportamento do seu caçula, Isaías, despertou a atenção de uma professora. Orientada a pedir ajuda, recebeu o veredito: Seu filho foi diagnosticado como autista. Sobre essa fase Sônia explica: “Coloquei ele na escola com três anos, pois achava ele diferente no sentido de ser muito dengoso… Era o filho caçula…Ele falava muito pouco. Não foi fácil no início. O maior preconceito está dentro de nós que não queremos aceitar. As crianças autistas não são especiais. Especiais somos nós que recebemos filhos maravilhosos para a gente cuidar. Deus nos confiou a responsabilidade de sermos mães dessas crianças”.

Foi durante esse período também que Sônia passou a viver uma crise definitiva no seu casamento. Assim como acontecera com sua mãe, foi vítima de violência doméstica: Sofri muito com meu ex-marido a ponto de parar em delegacia e hospital”. Em meio a todo esse turbilhão sua fé foi novamente testada: Foi diagnosticada com um câncer no endométrio. “Eu estava passando por um processo difícil em minha vida. Estava me separando do meu esposo, além de ter sido diagnosticada com câncer no endométrio. Estava cuidando de Débora e Isaías não tinha tempo para cuidar de mim. As pessoas quando conhecem a minha história ficam meio que impactadas. A vontade que eu tinha era desistir… Foi tudo muito complicado, mas eu via a mão de Deus me segurando. Encontrei muitos obstáculos, mas também encontrei muitas pessoas boas em meu caminho. Não me queixo da vida.Tenho meu Deus e os meus cinco filhos”, conta orgulhosa a Sônia, nossa super mãe.
Questionada sobre o que pediria de presente nesse dia das mães, nossa guerreira é taxativa: “Nada. Eu já me sinto realizada. Moro numa casa simples, humilde…mas já tenho o que me basta que são esses meus cinco filhos. Meus tesouros. Abaixo de Deus são minha vida. Não sinto falta de nada”.




