Transformar vidas por meio da corrida de rua. Esse é o propósito do coletivo Movimento Ritmo Rua, iniciativa criada pelo jovem Eduardo Souza Ramos, de 22 anos, morador do Complexo Nordeste de Amaralina, em Salvador. A proposta é usar o esporte como ferramenta de conexão, fortalecimento comunitário e geração de novas perspectivas para a juventude local.
A primeira atividade do grupo está marcada para o próximo dia 8 de março. O percurso, de 2,5 quilômetros, terá largada e chegada na estação do BRT do Vale das Pedrinhas, em um trajeto que percorre pontos simbólicos da própria comunidade.
Segundo Eduardo, a ideia começou a tomar forma após a participação em uma ação da SBN Running, grupo de corrida comunitário do Subúrbio Ferroviário, realizada no Dia da Consciência Negra.
“Guardei essa ideia por um tempo, mas recentemente ela voltou com força. Conversei com meu pai e com o meu melhor amigo, Gabriel, que hoje são meus parceiros no projeto, e percebi que eu não queria apenas organizar uma corrida; eu queria transmitir uma mensagem. Quando comecei a compartilhar, só recebi retorno positivo. O projeto está fluindo de um jeito que eu nem esperava”, afirma.
“Aqui temos gente, temos público e vontade. Só falta o empurrão. Meu objetivo vai muito além do evento. Se, de 200 pessoas, eu conseguir influenciar 10 a mudarem a rotina e se conectarem com o esporte, já estarei realizado. Esse projeto é sobre vida, sobre histórias e recomeços. É sobre dar visibilidade ao que a comunidade tem de melhor”, completa.
Segundo Dudu, a ideia, inicialmente, era realizar o evento no Parque da Cidade, mas uma reflexão mudou os planos: por que não organizar a corrida dentro do próprio Nordeste de Amaralina? A partir dessa pergunta, o projeto ganhou identidade.
“A orientação é que os participantes utilizem camisa branca, simbolizando união, respeito e a força da comunidade Não é só uma corrida. É uma mensagem em movimento”, define.

Ainda em fase inicial, o Movimento Ritmo Rua funciona de forma colaborativa e voluntária. O grupo busca apoio para manter e ampliar as atividades, com itens básicos, mas essenciais, como água para hidratação durante os treinos, principalmente nos dias mais quentes, além de frutas e lanches simples para reposição de energia.
O coletivo também procura apoio logístico, voluntários, pequenos incentivos financeiros ou materiais, além de parcerias institucionais que contribuam para a consolidação do projeto. A divulgação e o engajamento da comunidade, segundo os organizadores, também são fundamentais.
“O nosso objetivo é simples: levar saúde, movimento e esperança para dentro da comunidade. Com o apoio certo, podemos alcançar ainda mais vidas e transformar o projeto em um ponto de luz para jovens e adultos”, destaca Eduardo.
Nascido e criado no bairro, Eduardo, conhecido como Dudu, afirma que o projeto também surge como resposta à forma como o território costuma ser retratado.
“O bairro tem vivido momentos delicados e muitas vezes é mostrado de um jeito que não representa quem realmente somos. Como morador, isso dói. O Movimento Ritmo Rua nasce para mostrar o outro lado: o lado forte, potente e positivo do Nordeste de Amaralina”, conclui.





