Na Boca do Povo: Favor ou Contra? O que pensam os moradores do Nordeste de Amaralina sobre o fim da escala 6×1.

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Nos últimos meses, um tema central tomou conta das redes sociais e das conversas nos corredores de trabalho, nas rodas de bate-papo e dentro das casas: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da carga horária para 36 horas semanais.

Embora a mudança ainda precise percorrer um longo caminho de aprovação no Congresso Nacional, o assunto já gera grandes expectativas e debates acalorados. A equipe do NORDESTEuSOU foi às ruas do Complexo para ouvir a população e entender como essa transformação na rotina impactaria a vida de quem faz a economia do bairro girar.

Felipe Silva, de 30 anos, empresário do ramo de lanchonete, mostra-se descrente e contrário à medida. Para ele, o debate atual foge do problema principal, o baixo poder de compra do brasileiro.

“O fim da escala 6×1, hoje, é uma ilusão e discurso político. O Brasil não está preparado economicamente para isso. O problema real não é a escala, é que o trabalhador não sente prazer em trabalhar o mês todo e não conseguir comprar o básico no fim do mês”, reflete Felipe.

O empresário utiliza sua própria operação como exemplo do impacto nos preços. “Se eu for obrigado a reduzir a escala, terei que contratar mais pessoas. Isso aumenta os custos, que serão repassados ao meu produto. Agora, imagine isso em toda a cadeia: supermercados, transporte, indústria… quanto não ficariam os preços dos alimentos?”, questiona o morador do Nordeste.

Por outro lado, a operadora de caixa Samantha Santos, de 42 anos, vê na mudança uma oportunidade de resgatar sua dignidade e o tempo perdido longe de casa.

“É uma questão de saúde mental e física. Eu, como mãe, teria tempo de qualidade com meus filhos, poderia acompanhar a escola e cuidar de mim mesma. Coisas simples, mas que fariam uma grande diferença. Hoje, vivo mais no trabalho do que em casa, se contabilizarmos o tempo que passamos no transporte coletivo e na jornada”, desabafa Samantha, moradora do Nordeste.

Consultamos também o advogado Rodrigo Coelho, que fez considerações sobre os benefícios sociais da proposta. Para o especialista, o caminho é irreversível e benéfico para o mercado de trabalho a longo prazo.

“É importantíssimo garantir essa redução sem redução de salário, dando ao trabalhador espaço para o lazer e para a família. Tenho certeza de que, com isso, teremos mais postos de trabalho abertos e caminharemos, futuramente, para uma escala ainda mais flexível, como a 4×3”, contribui Rodrigo.

Luis Lago
Luis Lago
Amante da Literatura, apaixonado pelas Letras. Discente de Letras Vernáculas e Língua Inglesa, poeta, escritor , blogueiro, professor e Repórter do site NES.

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