Antes mesmo do sol nascer, a praia de Amaralina já tem movimento. Às 5h30, um grupo de cerca de 40 amigos — muitos deles surfistas experientes — inicia mais um treino do Tic-Tac Amaralina, projeto que combina natação e corrida na areia e que, ao longo dos anos, se tornou um espaço de encontro, superação e acolhimento.
O nome, curioso para quem vê de fora, remete justamente às duas modalidades que sustentam a rotina dos participantes. Mas o que mantém o Tic-Tac vivo é algo maior: a história de amizade construída dentro e fora do mar.
Segundo o professor André Nascimento, 59 anos, um dos fundadores, o grupo nasceu inspirado na dedicação do professor de educação física, Givaldo Araujo, que marcou época na comunidade por seu trabalho de incetivo a prática esportiva. Giva, como era conhecido, faleceu em novembro de 2019, vítima de um câncer.
“Esse grupo na verdade faz parte do legado de nosso amigo e mestre, Giva. Uma pessoa maravilhosa que agregou muita gente ao esporte. Não fizemos mais do que seguir os seus conselhos, afinal, coisas boas devem ser seguidas. Inicialmente éramos eu, Luciano, Carlinhos e Vivaldo. Posteriormente, foram surgindo outros membros. Hoje, somos mais de 40, embora alguns não sejam tão assíduos.”, relembra André.

O contador e membro do grupo, Luciano Martins, destaca a relação afetiva com a praia de Amaralina:
“Cresci em frente ao mar, na região do Quebra Coco, numa família de surfistas e nadadores. Comecei a praticar esportes bem cedo com meu pai e meus tios. O sentimento de estar inserido na natureza sempre guiou minha vida. Mais tarde, já adulto, passei a treinar corrida e natação com o querido e saudoso professor Giva, nas areias dessa mesma praia. O grupo Tic-Tac surgiu do desejo de fazermos esportes juntos, para manter a saúde em dia e praticar com mais regularidade. A família Tic-Tac cresceu, se desenvolveu, e agora estamos começando a participar de eventos fora do bairro como forma de continuar motivados a praticar essa combinação de natação e corrida.”

Com o tempo, o projeto deixou de ser apenas um treino. Tornou-se também um suporte emocional para muitos integrantes — como aconteceu com o representante comercial Eduardo Jesus, hoje com 62 anos.
“Não cheguei no início, na verdade fui convidado pelo professor André quando estava passando por um problema pessoal. Tive um princípio de depressão após o falecimento de meu pai. Sou um cara determinado, surfista desde muito cedo. Foi um momento muito ruim. Percebi que estava com medo de água! E foi através desse grupo que me curei. Fico até emocionado quando falo sobre isso. Isso aqui é uma família. É um grupo de apoio social, onde aconselhamos uns aos outros”, conta.

Entre os veteranos do Tic-Tac, está também o técnico administrativo Jadil Souza, 59 anos, que acompanha o projeto desde seus primeiros passos.
“Embora não seja um dos fundadores, estou no Tic-Tac há desde o começo . Grande parte do grupo é formada por surfistas. Então, numa época em que o mar parou de dar onda, cada um foi para um lado. Até que formamos esse grupo e conseguimos agregar novamente essa galera. Para muitos que estão aqui, foi uma salvação. Foi aqui que consegui equilíbrio para enfrentar dificuldades da vida. Aqui abrimos o coração aos colegas e as soluções aparecem através de um aconselhamento”, relata.





