Por muito tempo, as mulheres foram desestimuladas a ocupar certos espaços, mas provando que o lugar da mulher é onde ela quiser, a moradora da Chapada do Rio Vermelho, Natália Souza Santos, há dois anos ganha a vida em uma profissão ainda vista como majoritariamente masculina: a de mototaxista.
“Eu não parei para pensar na repercussão. A questão foi ver meus amigos exercendo a profissão. Como eu já tinha uma moto, decidi que no Carnaval buscaria uma renda extra ao lado deles. Eles me colocaram no grupo e, desde então, não parei mais”, relembra Natália sobre o início de sua jornada.

Apesar da determinação, ela conta que os estigmas ainda tentam cercar sua rotina, com frases sobre o perigo ou o risco de assédio por ser mulher. “Isso pode acontecer em qualquer lugar ou profissão, independente do gênero. Felizmente, nunca passei por algo do tipo. O curioso é que os homens acabam sendo mais meus clientes do que as próprias mulheres”, comenta.
O que mais marca o cotidiano de Natália é a reação das pessoas nas ruas do Complexo. “Vejo muita admiração. É gratificante saber que, de alguma forma, inspiro outras mulheres a ocuparem esses espaços”, diz orgulhosa.
Natália é mãe de uma menina de 3 anos. Mesmo com a filha ainda pequena, a motivação de cada corrida é garantir um futuro melhor e lutar para que a pequena cresça em um mundo mais igualitário, onde nenhuma profissão lhe seja negada. “Ela já tem e terá ainda mais orgulho da mãe e da contribuição que realizo mesmo sem pretenção para uma sociedade melhor”, finaliza.




