A busca por melhor qualidade de vida terminou em pesadelo para dezenas de famílias em Salvador. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) interditou a Clínica Clivan (também chamada de Crivale por alguns pacientes), localizada na Avenida Anita Garibaldi, após ao menos 30 pacientes denunciarem perda de visão, sangramentos e dores extremas após passarem por cirurgias de catarata no último dia 26 de fevereiro. Em nota divulgada nesta segunda-feira (2), a SMS confirmou a suspensão imediata do convênio com a unidade, que prestava atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre os casos mais dramáticos está o de Maria Das Candeias, de 72 anos, moradora do bairro Nordeste de Amaralina. Conhecida carinhosamente na comunidade como “Lia”, irmã do “finado Raimundo” e proprietária de um depósito local, a idosa foi uma das vítimas da grave infecção no centro cirúrgico. Ela passou pela cirurgia de evisceração procedimento médico para a retirada do globo ocular na tarde de ontem e, no momento, segue internada em observação.
Correria, Desespero e Rede de Apoio
Em relatos exclusivos, o sobrinho de Dona Maria Texeira detalhou a exaustão e o sofrimento da família, que precisou correr para o Hospital Geral do Estado (HGE) em busca de socorro imediato. “Tô com sono, mas o corpo e a mente estão ativados por causa dessa situação. É complicado, uma correria”, desabafou.
Diante da falta de respostas claras da clínica, os familiares das vítimas se mobilizaram e criaram um grupo no WhatsApp para compartilhar informações e organizar a busca por reparações legais. “Essa parte da indenização a gente vai correr atrás. Vou botar o pessoal lá no grupo, todo mundo que teve esse caso, a perda do olho, para a gente expor essa dificuldade”, afirmou o sobrinho da idosa.
Bactéria e Mutilações no HGE
A situação no Hospital Geral do Estado (HGE) é alarmante. Familiares de pacientes relatam que três pessoas já perderam um dos olhos após serem diagnosticadas com uma bactéria agressiva adquirida durante o procedimento. Uma quinta pessoa, cujo quadro é considerado ainda mais grave, segue internada na unidade estadual.
O familiar de Maria Texeira confirmou o cenário de superlotação de vítimas na mesma situação: “Lá [no HGE] ontem tinha mais três pessoas que também iam fazer esse procedimento [de retirada do olho]”.
Falta de Transparência e Medo da Cegueira
Após os primeiros sinais de complicação, um grupo de pacientes foi encaminhado pela própria clínica para o Hospital Santa Luzia, no bairro de Nazaré. Na unidade, receberam os primeiros atendimentos, mas muitos seguem sem saber a causa exata das infecções e temem a perda total da visão.
As famílias acusam a Clínica Clivan de não prestar os esclarecimentos necessários sobre a investigação dos sintomas. O pânico entre os pacientes que ainda tentam salvar a visão é constante. “Após o procedimento, tivemos uma consulta com um especialista na Clivan e ele disse: ‘tenha calma, estamos batalhando para não acontecer a perda da visão'”, relatou, angustiada, a filha da paciente dona Iraci.
Enquanto a clínica permanece de portas fechadas por determinação da SMS, conforme também repercutido em telejornais locais, as vítimas aguardam respostas das autoridades sanitárias e lutam para se adaptar a uma nova e dolorosa realidade.




