Para quem mora no Complexo do Nordeste de Amaralina, a praia de Amaralina é quase um quintal de casa. É onde muita gente vai para tomar banho de mar, levar os filhos, encontrar os amigos ou simplesmente descansar. Mas o que deveria ser um lugar para aproveitar tem chamado atenção por outro motivo: garrafas de vidro quebradas e cacos deixados na areia e até dentro da água.
O problema não é apenas a sujeira. Um pedaço de vidro escondido na areia pode cortar o pé de quem passa. Dentro do mar, o perigo aumenta porque praticamente não há como enxergar o que está debaixo da água. “Você vem para a praia para tomar um banho, relaxar, e tem que ficar olhando onde pisa. Isso é muito perigoso. Uma criança pode pisar em um vidro desses e se machucar”, afirma o frequentador João Carlos.
Para quem trabalha na praia todos os dias, o cuidado precisa ser ainda maior. Vendedores passam horas andando pela areia e ficam expostos aos cacos deixados por quem vai embora. “Quem quebra a garrafa vai embora e pronto. Mas o vidro fica ali. A gente continua trabalhando e pode acabar pisando. É uma falta de responsabilidade muito grande”, relata um vendedor que trabalha na região.
Moradora da região e frequentadora da praia, Dona Joana afirma que o problema não termina nas garrafas de vidro. Segundo ela, principalmente em determinados períodos e horários, grupos que descem para a praia acabam levando comportamentos que incomodam quem mora nas proximidades.

“Eu moro aqui e a gente conhece a rotina da praia. O que a gente espera é que as pessoas venham para aproveitar, mas tenham respeito. Tem gente que desce, coloca som alto, música com palavrão, fala baixaria, deixa garrafa de vidro na areia, joga dentro da água e ainda fica incomodando na porta das pessoas”, relata.
Para Joana, a situação fica ainda mais complicada durante a noite. Segundo ela, o movimento e os comportamentos mudam depois que escurece. “À noite, tem hora que isso aqui parece um motel. Você está dentro de casa e fica ouvindo certas coisas, vendo gente fazendo coisas na praia. A pessoa tem que lembrar que existem casas aqui, que tem família morando aqui. Não é porque está na praia que pode fazer tudo”, afirma.
A moradora também diz perceber a chegada de pessoas vindas de outras áreas do Complexo para utilizar a praia, mas reforça que sua crítica é direcionada ao comportamento de quem desrespeita o espaço, e não aos moradores de uma comunidade específica. “Não estou dizendo que todo mundo que desce para a praia faz isso. Tem muita gente que vem, se diverte e vai embora deixando tudo limpo. O problema são aqueles que acham que podem fazer qualquer coisa porque estão na praia”, completa.
A preocupação com as garrafas de vidro, porém, é mais imediata. Na areia, pequenos pedaços podem ficar escondidos. Dentro da água, o risco é ainda maior, já que quem entra no mar não consegue saber onde estão os fragmentos.
Uma criança correndo, um adulto caminhando ou alguém entrando no mar pode acabar se machucando. Por isso, o óbvio precisa ser dito: garrafas de vidro não devem ser deixadas na areia nem jogadas no mar. Se uma garrafa quebrar, os cacos precisam ser recolhidos com cuidado e descartados corretamente.




