Um dos privilégios de quem mora no Complexo do Nordeste de Amaralina é estar a poucos passos da Praia de Amaralina, mais conhecida como “praia do oi”. Afinal, não é muito difícil encontrar um vizinho, um amigo, alguém conhecido. Não existe morador do Complexo que não tenha alguma história com essa praia. Certamente há uma foto antiga no álbum de casa. E, muito provavelmente, ao ler este texto, alguma lembrança forte já começou a se formar na cabeça.
Apesar da relação afetiva e do uso constante, a praia enfrenta um problema antigo relacionado à falta de estrutura básica para banhistas e trabalhadores. Recentemente, o calçadão da Praia de Amaralina passou por uma reforma. Foram instaladas quadras esportivas e novos quiosques, melhorando o visual do espaço. No entanto, moradores e ambulantes afirmam que a obra não contemplou necessidades essenciais, como chuveiros, acesso à água e a quantidade insuficiente de banheiros públicos.

Trabalhando há 25 anos no local, o vendedor Hildebrando Natividade, que mantém uma barraca de caldo de cana na praia, relata que a situação já foi melhor. “Já teve banheiro, já melhorou, depois tiraram. Hoje é um banheiro só pra muita gente. Não tem chuveiro, não tem água. A manutenção até vem, mas não é suficiente pra quantidade de pessoas que usam”, afirma.
A reclamação é reforçada por Noélia Silva, vendedora há 16 anos na Praia de Amaralina. Segundo ela, a falta de estrutura prejudica tanto os trabalhadores quanto quem frequenta o local. “É uma das praias mais bonitas e mais tranquilas, mas a estrutura é insuficiente. Tem apenas um banheiro, que não está em condições adequadas, não tem chuveiro, não tem água. A gente trabalha aqui, mas nem sente vontade de usar o banheiro”, diz.

Noélia também questiona a cobrança de taxas pela Prefeitura sem a devida contrapartida. “A Prefeitura cobra licença da gente. Se tivesse estrutura, valeria a pena pagar. Mas hoje a gente paga por quê?”, questiona.
Além disso, ela aponta a existência de um buraco na região que já foi comunicado diversas vezes. A responsabilidade pelo conserto, de acordo com os trabalhadores, fica sendo empurrada entre a Prefeitura e a companhia telefônica, sem solução até o momento.
Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Salvador não havia se pronunciado sobre as reclamações.




