Prêmio Olímpio Batista resgata a história do surfe e reúne gerações em Amaralina

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O último fim de semana foi de celebração, reencontros e boas ondas na Praia de Amaralina, em Salvador. A primeira edição do Prêmio Olímpio Batista (Olimpinho), promovida pela Associação de Surf de Amaralina (ASA), reuniu atletas da velha guarda e da nova geração em uma homenagem a um dos maiores nomes da história do surfe baiano.

Ao longo dos dois dias de disputa, antigos companheiros de mar, familiares e admiradores lembraram a trajetória do atleta, assassinado no Rio de Janeiro, em 2019, e defenderam a preservação de seu legado para as futuras gerações.

Presidente da ASA, Fernando Guedes destacou que a homenagem vai além do aspecto esportivo. Segundo ele, manter viva a história de Olímpio é preservar parte da identidade do surfe em Amaralina.

“O Prêmio Olímpio Batista representa uma homenagem mais do que justa a um dos maiores nomes do surfe baiano. Olímpio saiu do Nordeste de Amaralina para representar a Bahia, o Brasil e o mundo. Ele tinha uma sintonia impressionante com o mar e se tornou uma referência para todos nós. Infelizmente, ainda não surgiu outro atleta da comunidade com a mesma projeção. Por isso, seguimos investindo na formação de novos surfistas por meio da escolinha Surf Cidadania e já temos novas competições programadas. Queremos aproximar crianças e jovens do esporte e manter esse legado vivo.”

Para Toninho Bonfim, um dos idealizadores da homenagem, o momento foi marcado por emoção e simbolismo.

“Hoje celebramos o legado de Olímpio e reencontramos amigos e atletas de várias partes do Brasil. É um momento de alegria pela história que ele deixou, mas também de tristeza pela sua ausência. O surfe sempre foi uma ferramenta de inclusão na nossa comunidade e ajudou muitos jovens a terem oportunidades. É essa força transformadora que queremos preservar.”

O ex-surfista profissional Jorge Martins, de 58 anos, lembrou que Olímpio mostrou ser possível superar as dificuldades sociais e chegar ao cenário internacional. Para ele, a retomada das competições em Amaralina pode inspirar uma nova geração.

“É muito importante voltar a realizar eventos como esse para que os jovens conheçam o legado de Olímpio. Ele representou muito bem o nosso bairro e mostrou que, mesmo com a falta de patrocínio e as dificuldades sociais, era possível se destacar. Fico triste ao ver boas ondas e quase ninguém no mar. Na nossa época, a praia ficava lotada de surfistas todos os dias, mesmo sem a tecnologia que existe hoje. Não sei exatamente o que mudou, mas acredito que as novas gerações vivem uma realidade diferente. Nós éramos uma geração de rua, convivíamos mais ao ar livre, e isso fazia do surfe parte da nossa rotina.”

Um dos principais nomes do surfe baiano nas décadas de 1980 e 1990, Neidson Muricy de Jesus, de 60 anos, também ressaltou a importância histórica de Olímpio para a comunidade.

“Prestar essa homenagem a Olímpio Batista é reconhecer a história de um atleta que rompeu barreiras. Em uma época em que o surfe era um esporte praticamente restrito a quem tinha melhores condições financeiras, ele, vindo da comunidade, negro e morador de Amaralina, conseguiu representar a Bahia, o Brasil e competir em alto nível. Isso inspira qualquer jovem. Nós éramos do mesmo bairro e rivais nas competições, mas sempre houve muito respeito entre nós. Nos anos 1980 e início dos 1990, Amaralina viveu o auge do surfe, com dezenas de atletas no mar todos os dias e muitas competições. Infelizmente, esse movimento perdeu força ao longo do tempo e hoje vemos bem menos praticantes. Resgatar eventos como esse é uma forma de preservar essa história e incentivar uma nova geração de surfistas.”

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Tiago Queiroz
Tiago Queiroz
Graduado em Comunicação/Jornalismo, e exerce as funções de Editor e Coordenador de Jornalismo do Portal NORDESTeuSOU

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