Reajustes constantes do gás de cozinha assustam os consumidores do Nordeste de Amaralina

Saiba o que está por trás dos aumentos e os preços variados nas revendedoras do bairro.

Na última quinta-feira, dia 3, a Petrobrás anunciou o novo reajuste no preço do gás de cozinha, nome popular para o GLP (gás liquefeito de petróleo).

Em menos de um mês, o aumento acumulado foi de 10%, já que o último reajuste foi feito no dia 4 de novembro, e que assim como esse, também foi de 5%. No ano de 2020, esse reajuste aconteceu nove vezes, num total acumulado de 22%.

 “Os preços de GLP praticados pela Petrobras seguem a dinâmica de commodities em economias abertas, tendo como referência o preço de paridade de importação, formado pelo valor do produto no mercado internacional, mais os custos que importadores teriam, como frete de navios, taxas portuárias e demais custos internos de transporte para cada ponto de fornecimento. Esta metodologia de precificação acompanha os movimentos do mercado internacional, para cima e para baixo”, informou a Petrobras. Ou seja, o real desvalorizado encarece tudo que é importado e todos os preços internacionais ficam mais caros para os brasileiros.

Com a elevação do preço pelas refinarias, o valor para às revendedoras será equivalente à R$ 33,89. Algumas revendedoras relutam em passar a dita “facada” para o consumidor final, mas isso não se aplica a todas. Algumas não conseguem manter o preço anterior e tendem a aumentar o valor final. Aqui no bairro, por exemplo, encontramos o gás de R$ 79,00 até R$ 84,00, e esses são os preços à vista. Pra pegar na portaria fica mais barato; de R$ 71,00 à R$ 76,00, também à vista.

Segundo pesquisa da ANP, na última semana de novembro o preço médio do botijão no país era de R$ 73,22. Os preços, no entanto, variam nos postos de venda aos consumidores.

Empresários do ramo alimentício também sofrem com a alta do preço, e precisarão repassar o custo para o cliente. Existem alguns que ainda conseguem um bom preço com um fornecedor, mas outros não tem a mesma sorte. A Rosilene possui um pequeno restaurante/lanchonete aqui na Santa Cruz e, em entrevista, nos contou um pouco da realidade do seu negócio: “Nós compramos de 20 a 25 botijões por mês. Não tem condições! Nossos doces e salgados são muito conhecidos aqui no bairro, tanto pelo sabor e qualidade, quanto pelo preço minúsculo. Por conta desse aumento, nossos produtos que eram baratinhos, vão ficar mais caros. O que era atrativo, já não vai ser; ninguém vai querer comprar. Usamos seis botijões, um para cada equipamento, e todos os dias, pelo menos um acaba. Já aconteceu de acabar dois de vez”, disse ela ao NES. A Rose não entrou em detalhes do faturamento, mas fizemos a conta e o valor obtido equivale a mais de um salário e meio. Investimento esse que é feito somente no gás.

A Lilian também nos deu um pouco do seu tempo e falou ao NES: “Pra mim tá pesando muito; eu tenho seis filhos e eles moram comigo. Fora a alimentação, tem roupas e calçados, e com esse aumento de gás aí… Pra mim tá bem complicado. Muitas das vezes a gente não tem de onde tirar, e o pouco que a gente ganha, não dá nem pra gente sobreviver. Tá realmente um absurdo.” Atualmente, o valor do botijão equivale a 8% do salário mínimo.

Os dois lados, revendedoras e consumidores, sofrem com o aumento. Há aqueles que se aproveitam, e há também os que tem compaixão pelos seus clientes, sejam vitalícios ou não. Mas, esse quadro não é novo, no entanto, sempre que aparece, gera preocupação na população mais carente.

Deixaremos abaixo um link com acesso à informações mais detalhadas, direto da própria Petrobrás, para quem quer saber das letrinhas miúdas que podem passar despercebidas.

https://petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/composicao-de-precos-de-venda-ao-consumidor/gas-liquefeito-de-petroleo-glp/

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Felipe Oliveira
Fascinado pelas Letras, escritor, músico, compositor, cristão.