Minha gente, chegamos ao clichê mais delicioso do ano. Prepare o coração (e o fígado), porque o 365 de 365 chegou e, se você não garantiu seu metro quadrado na areia da Praia de Amaralina, meu amor, agora só resta chorar no calçadão ou pagar os R$ 120 da barraca, chorando também.
A situação em Amaralina hoje está mais tensa que final de campeonato no Barradão. Se você achou que ia chegar às 22h e armar sua tenda de boa, esqueça. A areia virou artigo de luxo. Quem foi esperto, acampou ontem. O espaço está mais concorrido que vaga de emprego no Sine. Quem não garantiu o lugar vai ter que se equilibrar no calçadão ou dar aquele migué clássico, encostando discretamente na barraca alheia ou observa de longe, espremido entre um vendedor, o paredão e um evangélico pregando a volta de Cristo.

É oficial, família. Amanhã o feed vai virar um festival de clichê: 1/365. A legenda? “Escrevendo uma nova história”. Mas a verdade é que a história de hoje à noite na Praia de Amaralina promete ser um épico digno de meme.
Os fogos? Dizem que duram um minuto. Um minuto cravado. É o tempo de destravar o celular, abrir a câmera, xingar a bateria, ajustar o brilho… e pronto: acabou. O céu escurece de novo e o que sobra é fumaça, pólvora e a certeza de que a gente vai fingir que foi um espetáculo da Disney. O resto da festa? Quem faz é o povo no paredão.

Pra quem leva o kit completo de simpatia, atenção às regras básicas da sobrevivência:
– Pular as sete ondas: cuidado pra não cair de cara num siri ou, pior, numa sandália Havaianas pé esquerdo perdida.
– Lentilha e farofa: tem gente que leva tanta comida que parece abrir um self-service. Se ventar forte, você começa 2026 mastigando quartzo. Areia não é tempero.
– Aves que ciscam pra trás: frango e peru estão proibidos. Se comer, o ano só anda em ré. Prefira peixe, porco ou vá de pão com ovo, que é neutro e honesto.
Para as monas: garantiu a roupinha do final de ano do moleque? Tem que estar no naipe. Mas garanta também que ele não esteja em dois lugares ao mesmo tempo.
Para os manos: se você não estiver com o Nevou, aquele loiro pivete que quase derrete o couro cabeludo, hoje você nem é considerado cidadão de Salvador.
Aviso de utilidade pública para manas, as casadas-solteiras: cuidado com o boy magia. Se levar pra Amaralina e a “outra” descobrir, o único fogo que você vai ver é o da confusão.
Falando a verdade nua e crua (espero que não tão nua): banheiro químico em Amaralina no Réveillon é praticamente uma lenda urbana. Dois banheiros pra dez mil pessoas. A fila é maior que a do Auxílio Brasil. Resultado? Depois das 23h, todo mundo resolve “agradecer a Iemanjá” com água pela cintura. Se vir alguém parado, olhando pro horizonte, com um leve sorriso de alívio… não chegue perto. Aquilo não é meditação, é falta de banheiro mesmo.
No paredão, cuidado com o que você mostra. Ninguém quer começar 2026 sendo assunto no grupo de fofoca do bairro porque mostrou demais no pagodão. Mantenha a compostura, ou pelo menos a roupa no lugar.
A mentira mais contada hoje, depois do “te amo”, é o “segunda eu foco na dieta”. O povo não deu um passo de caminhada em 2025 todo, mas já comprou o tênis neon pra segunda-feira. No dia 5 de janeiro, já sabemos que a academia vai estar mais cheia que o ônibus da linha 0713 (Ribeira/Santa Cruz). É o milagre da virada: todo mundo acha que o suor de janeiro apaga a cervejada de dezembro.
E as canetas emagrecedoras? Vão vender mais que picolé na praia. O importante é a estética, né? Só não vale virar meme no TikTok passando mal porque quis emagrecer 10kg em 3 dias pra caber na roupa do Carnaval. O povo que passou o ano de 2025 no sedentarismo agora quer virar o “Leo Santana” em uma semana. Calma, calabreso! O projeto verão a gente sabe que dura até o Carnaval.
Os numerólogos dizem que 2026 é ano de recomeço. Eu não entendo de números, só entendo de gente feliz. Então se jogue. Faça a simpatia, dance seu TikTok, meta o Fitdance, enterre o parente bêbado na areia (e tire antes da maré subir).
Seja de branco, de amarel vai que o dinheiro resolve aparecer, ou de vermelho, pra ver se o amor vem. Amaralina hoje vai viver, vibrar e, acima de tudo, suar.
Que 2026 seja leve como a brisa do mar, e não pesada como a ressaca que te espera amanhã.
Feliz Ano Novo, Nordeste de Amaralina!




