Ontem o dia deu e deixou, hein!? Mas antes de entrar no caos, preciso falar das figuras que tomam conta por onde passam. A famosa dupla Gugu e Lello é aquele tipo de fenômeno que desafia a física e a lógica. Eu vendo as coisas deles é uma sequência de: “só acredito vendo”. E eu vendo? “Não acredito!”.
Falando em absurdo, a grande maioria das bandas de pagode que tocam no Nordeste precisam urgentemente de um HD novo ou de um compositor desesperado. Gente, a gente sabe que o repertório é curto, mas repetir a mesma música o circuito todo já é tortura psicológica. Custa misturar um axé, um arrocha, ou qualquer outro ritmo? Puxar bloco sem conteúdo é complicado, vira um karaokê de uma nota só… dó.
Ontem, os primeiros a se movimentarem foram os Engravatados. Um arrastão de coroas fazendo o “bate lata” deles. Na sequência, vieram os Boleiros. Outro grupo de coroas, todos devidamente uniformizados. Olhando o shape da galera, só nos resta torcer para que tenham mais habilidade com a bola no campo do que tiveram com o remelexo.
Aí veio o compressor do arrocha! Ééééééé, gata! Kátia Souza botou o povo para pagar de “livre e leve na revoada”. Teve tambor também, viu? O afro & arte Omin Xekerê trouxe a percussão e a “lixuria”, a arte que recicla. Finalmente alguém olhando pelo meio ambiente, porque do jeito que o povo descarta dignidade nesse Carnaval, reciclar é a única saída.
E tome mais tambor com o Arrastão Delas. Mas ó, vamos combinar? O arrastão era delas, mas o tambor era majoritariamente deles. Não tinha uma banda feminina para chamar, não?
Depois veio o Bloco Banzo trazendo o samba. A energia do povo estava lá em cima… mas lá em cima mesmo, em algum lugar da estratosfera onde o ser humano comum não alcança.
O bloco Sou + de Ir veio puxado pelo Biruta, que este ano saiu sem drama nenhum, puxando o povo do jeito que gosta. O Biruta sem drama é igual a Carnaval sem cerveja quente, a gente até estranha, mas aceita porque sabe que a qualquer momento tudo muda.
Agora, o auge do surrealismo: Zé Paredão. O trio foi e o cantor ficou! O caminhão seguiu viagem e deixou o Zé no meio do povo cantando sozinho. Onde é que isso acontece, gente? O motorista esqueceu que o show não era instrumental? Mas o Zé continuou ali e a energia do povo, por incrível que pareça, subiu.
Diferente de outros que parecem ter um CD riscado no cérebro, o Jan Thuco sabe que Carnaval pede repertório variado. O setlist estava ótimo. Gilson do Arrocha também marcou presença com a arrochadeira.
Na Pipoca da Cultura teve o Omo Oba. Ninguém aguenta mais ouvir “chama o bombeiro que isso aqui vai pegar fogo”, mas é aquilo… o povo reclama, mas se não tocar, faz abaixo-assinado. Arrastou a galera na força do hábito.
Pra fechar, o bloco Vip & Folia com Biel Castro, que é cria da casa. O som do trio do Biel estava com uma projeção tão potente que, se ele espirrasse no microfone, o pessoal de Lauro de Freitas já comprava um antialérgico por reflexo.
Volto amanhã com o resumo de hoje, porque o dia promete… ou pelo menos promete mais doidice que ontem.




