[LUTO] Morre Alaíde do feijão, vítima de covid-19

A famosa cozinheira baiana Alaíde Conceição, de 73 anos, dona do famoso Restaurante Alaíde do Feijão, localizado no Centro Histórico de Salvador, morreu no inicio da tarde desta segunda-feira (31), após contrair Covid-19 pela segunda vez, durante um internamento hospitalar. 

O trabalho da produção de quitutes e cozinheira foi herdado por Alaíde ainda durante a adolescência, através da sua mãe, que tinha uma banca de venda de comidas desde 1960 na região da Praça Cayru, no bairro do Comércio, em Salvador. Com a aposentadoria da mãe, Alaíde quis manter viva a tradição dos quitutes e seguiu fazendo sucesso com a fórmula do tempero, ensinada pela matriarca da família.

Em 1993 a cozinheira abriu seu primeiro restaurante no Pelourinho e ampliou o cardápio, que passou a ter maior variedade de opções. Em 2015, o restaurante que funcionava na Ladeira da Ordem Terceira do São Francisco mudou de endereço, para que o espaço fosse transformado em um ponto de cultura, mas permaneceu no Pelourinho, na Rua das Laranjeiras.

Em nota o coletivo de entidade negras o CEN, lamentou a morte de Alíde

O Coletivo de Entidades Negras (CEN) acaba de receber, com muita dor e pesar, a confirmação da morte da grande matriarca do movimento negro baiano e brasileiro, a cozinheira Alaíde do Feijão, do Restaurante da Alaíde, no Pelourinho, ponto de encontro de históricas articulações políticas do povo negro baiano. Trata-se de uma perda irreparável, que deixa órfão todo o movimento negro brasileiro.

Alaíde era uma mulher de grande força, representatividade, e legítima matriarca, como tantas mulheres negras chefes de família da Bahia e do Brasil. Começou a vender feijão ainda jovem, em tabuleiro na frente do Elevador Lacerda, até se mudar para um imóvel no Pelourinho, localidade onde permaneceu até os últimos dias. Atuante no movimento negro, tinha um carinho especial com todos que recebia, entre eles políticos e ativistas relevantes, tratando cada um como filho. Era filha de Omolu, o Orixá das doenças e da cura, grande Rei da Terra, e sempre fazia questão de reverenciar as insígnias do seu santo no ambiente do restaurante.

Foi no seu estabelecimento, conhecido pela feijoada e outros quitutes, que nasceram acordos políticos históricos e surgiram movimentos novos de luta por direitos. Foi lá, no endereço mais recente, o da Rua da Laranjeiras, que surgiu, por exemplo, o movimento Eu Quero Ela, que incentivou o maior número de candidaturas negras da história à Prefeitura de Salvador, nunca governada por um prefeito negro eleito.

Alaíde do Feijão deixa um vazio político e cultural impossível de preencher. O movimento social negro da Bahia e do Brasil estão em luto, tristes, órfãos, como poucas vezes. O sentimento geral é de consternação, devastação. Perdemos uma grande mente conciliadora. O CEN externa sua solidariedade à família e aos amigos mais próximos e decreta luto interno.

Em tempo, segundo informações da família, Alaíde sofria com sequelas da Covid, entre outras doenças fruto da da idade, e foi infectada pelo Coronavírus novamente no hospital onde estava em tratamento. Resistiu até onde pôde, mas hoje partiu para outra dimensão, após uma parada cardiorrespiratória.

Desejamos que Alaíde descanse em paz! Pois ela estará viva para sempre em nossos corações, afinal quem vive na memória nunca morre!

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