Por que cuspir em vez de engolir? A explicação científica por trás do hábito que virou tendência nos gramados da Copa

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Os torcedores mais atentos perceberam uma cena que se repetiu diversas vezes durante os jogos da Copa do Mundo de 2026: jogadores colocam uma bebida na boca, fazem um breve bochecho e, em seguida, cospem o líquido em vez de engolir. O gesto chamou a atenção nas redes sociais, gerando diversas teorias e até memes.

Mas, ao contrário do que muitos imaginam, a prática tem base científica e é conhecida como “bochecho de carboidrato” (carbohydrate mouth rinse).

Segundo informações publicadas pelo G1, com entrevista ao endocrinologista Fernando Valente, coordenador do Departamento de Educação em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e diretor do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a técnica não fornece energia ao organismo, mas pode melhorar o desempenho físico por meio de um estímulo cerebral.

A estratégia consiste em fazer um bochecho, durante alguns segundos, com uma bebida rica em carboidratos e eletrólitos e depois cuspir o líquido, sem engolir.

De acordo com o especialista, receptores presentes na boca identificam a presença do carboidrato e enviam sinais ao cérebro, ativando regiões ligadas ao controle motor, à tomada de decisões e ao desempenho durante atividades físicas intensas.

Na prática, o cérebro interpreta que há combustível disponível para o corpo, reduzindo a sensação de esforço e permitindo que o atleta mantenha um nível elevado de rendimento por mais tempo, mesmo sem ingerir nenhuma caloria.

Apesar do benefício, o efeito é considerado pequeno. Estudos apontam uma melhora entre 1% e 3% no desempenho físico. Para a maioria das pessoas que pratica exercícios de forma recreativa, essa diferença costuma ser imperceptível. Já no esporte de alto rendimento, em que milésimos de segundo podem definir uma vitória, qualquer ganho pode fazer diferença.

A técnica também pode ser observada em outras modalidades esportivas e até em apresentações de artistas durante longos shows, quando fazem um rápido bochecho antes de voltar à atividade.

Especialistas reforçam, porém, que o método não substitui uma alimentação adequada nem a hidratação correta. O bochecho de carboidrato atua apenas como um estímulo sensorial ao cérebro e não fornece energia real ao organismo.

Crédito: Esta reportagem foi produzida pelo NORDESTeuSOU com base em informações publicadas pelo G1, em entrevista com o endocrinologista Fernando Valente.

Redação NES
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