O que deveria ser apenas mais uma jornada de trabalho para um motorista de aplicativo em Salvador transformou-se em uma tragédia que levanta sérios questionamentos sobre a conduta policial. Registros de áudio enviados a familiares no dia anterior ao crime revelam que o trabalhador planejava reformar sua casa e, futuramente, mudar-se para um local mais seguro.
Embora gostasse da acessibilidade do bairro, ele desabafou sobre a mudança na rotina da região, afirmando que o local “virou um brega” e que a situação estava ficando difícil.
A corrida na tarde de ontem
Na tarde de segunda-feira, após visitar sua mãe, o motorista ativou o aplicativo de transporte. Ele aceitou uma corrida com destino ao Areal, onde o passageiro solicitante seria um suspeito conhecido como “DS”.
De acordo com relatos de testemunhas e familiares, ao avistarem o veículo, policiais militares efetuaram disparos que atingiram os dois ocupantes. Antes de falecer, o motorista chegou a declarar que era uma “vítima da operação policial”.
Família aponta remoção de documentos e celular
A família denuncia uma série de irregularidades na abordagem. Segundo os parentes, o corpo do trabalhador foi arrastado e colocado na viatura de forma degradante. Além disso, afirmam que os documentos e o celular da vítima desapareceram, o que veem como uma tentativa de dificultar a comprovação de que ele estava trabalhando no momento em que foi baleado.
“A gente em luto ainda tem que provar a inocência da vítima”, desabafou um familiar. A defesa da família buscará junto à plataforma de transporte os registros da conta do motorista para provar que ele estava em serviço quando a ação ocorreu.
Investigação
Até o momento, não houve detalhamento oficial sobre a dinâmica da operação ou o paradeiro dos pertences do motorista. O caso segue sob investigação para apurar as responsabilidades e as circunstâncias das mortes.
Esta matéria foi construída com base em depoimentos da família e registros audiovisuais cedidos à reportagem.




